Quais setores da economia dos EUA serão afetados por retaliação da China à tarifas de Trump

A China anunciou nesta terça-feira (4/2) uma série de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos em retaliação às tarifas sobre produtos chineses impostas pelo presidente americano, Donald Trump.

As tarifas chinesas, que entram em vigor na próxima segunda-feira, incluem um imposto de 15% sobre carvão e gás natural liquefeito, bem como uma taxa de 10% sobre petróleo, máquinas agrícolas, caminhonetes e alguns carros de luxo.

Tarifas de 10% sobre todas as importações da China para os EUA começaram a ser aplicadas na manhã desta terça-feira (4/2).

Trump alega que as tarifas em cima de produtos chineses é uma resposta ao déficit comercial com o país asiático e uma forma de forçar a China a interromper o fluxo da droga fentanil para os EUA.

Por sua vez, o governo de Pequim acusou Washington de violar as regras do comércio internacional.

“A imposição unilateral de tarifas pelos EUA é uma violação grave das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Não só não ajuda a resolver seus próprios problemas, como também prejudica a cooperação e o comércio normais entre a China e os EUA”, diz o comunicado chinês.

A nota também descreve a ação como “um exemplo típico de unilateralismo e protecionismo comercial”.

O ministério do Comércio da China anunciou que apresentará uma queixa à OMC para intervir a fim de “salvaguardar seus direitos e interesses legítimos”.

Em outra medida, o órgão regulador da concorrência da China disse que iniciou uma investigação sobre o Google, por suspeita de violação de leis antitruste.

Energia, petróleo, máquinas e carros

As retaliações da China são limitadas em escopo em comparação com os impostos de Donald Trump sobre todos os produtos chineses que vão para os EUA.

Pequim direcionou seus esforços contra diferentes partes da economia americana, de energia a empresas individuais.

Poucos minutos após as medidas comerciais de Trump entrarem em vigor, a China disse que implementaria uma tarifa de 15% sobre produtos de carvão e gás natural liquefeito, bem como uma tarifa de 10% sobre petróleo bruto, máquinas agrícolas e carros de motor grande importados dos EUA.

As tarifas devem entrar em vigor na próxima segunda-feira (10/2).

No entanto, o impacto nos EUA pode ser limitado. O país é o maior exportador de gás natural liquefeito globalmente, mas a China responde por apenas cerca de 2,3% dessas exportações.

E as maiores importações de carros da China são da Europa e do Japão.

Para a correspondente da BBC na China, Laura Bicker, essas medidas podem ser apenas o começo da estratégia de Pequim — uma maneira de ganhar algum poder de barganha antes de quaisquer negociações. Mas corre-se o risco de elas desencadearem uma guerra comercial ainda maior.

Trump desencadeou disputas tarifárias com a China ao anunciar aumento de tarifas

Com os anúncios, Pequim deixou claro que não se intimidará com um confronto comercial com Washington.

Não é a primeira vez que isso acontece entre as duas principais potências econômicas do mundo, que já estiveram envolvidas em uma guerra tarifária durante o primeiro mandato de Trump, em 2018.

Na época, Trump estava implementando sua chamada agenda “América em Primeiro Lugar”, impondo tarifas sobre produtos estrangeiros. Centenas de bilhões de dólares em produtos chineses enfrentaram novos impostos ou tarifas mais altas, provocando retaliações de Pequim.

Durante o governo de Joe Biden, Washington manteve as tarifas e até aumentou algumas delas. Biden adotou uma estratégia mais focada em alta tecnologia, com mais tarifas e restrições a produtos como semicondutores e veículos elétricos.

Apesar das tensões, as duas grandes economias estão profundamente interligadas.

Ambos os países são parceiros comerciais importantes. As importações da China para os EUA atingiram US$ 401 bilhões nos primeiros 11 meses do ano passado, enquanto a China importou o equivalente a US$ 131 bilhões dos EUA.

Donald Trump está lidando com uma China muito diferente desta vez.

Maior potência de manufaturados do mundo, a China é o principal parceiro comercial de mais de 120 países — os EUA são apenas um deles.

Nas últimas duas décadas, a China também reduziu constantemente a importância do comércio para sua economia e aumentou a produção doméstica. Hoje, as importações e exportações representam apenas cerca de 37% do PIB da China, em comparação com mais de 60% no início dos anos 2000, de acordo com o Conselho de Relações Exteriores.

A tarifa de 10% de Trump vai afetar a economia chinesa, mas Pequim tem capacidade para absorver o impacto por um tempo.

Segundo Laura Bicker, o temor da China é que Trump esteja falando sério sobre aumentar essa porcentagem para os 60% que prometeu durante sua campanha.

Dólar fecha em queda a R$ 5,81 após acordo entre EUA e México

Após registrar um breve período de valorização durante a manhã, o dólar comercial voltou a cair na tarde desta segunda-feira (3/2) e fechou em queda de 0,38%, cotado a R$ 5,81.

É o 11º pregão consecutivo em que a moeda norte-americana encerra em queda, no primeiro dia de operações do mercado em fevereiro. No mês anterior, o real foi a 2ª moeda que mais se valorizou ante o dólar no mundo, atrás apenas do rublo russo.

O movimento foi na direção contrária à média de outras principais divisas do mundo, visto que o Índice DXY, que realiza essa medição, encerrou o dia em alta de 0,54%.

Na avaliação de especialistas do mercado financeiro, a moeda brasileira foi beneficiada com o acordo entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para adiar a aplicação da taxa de 25% em produtos mexicanos importados pelos EUA.

O analista da Ouro Preto Investimentos Bruno Komura acredita que o real deve se beneficiar ainda mais dessa distensão temporária dos EUA com outros países, enquanto perdurar. No curto prazo, o especialista acredita que a moeda brasileira deve permanecer em um patamar próximo a R$ 5,80 ou, até mesmo, chegar a R$ 5,70.

Apesar disso, o dólar deve voltar a ganhar força assim que as medidas adotadas por Trump se tornarem mais concretas no âmbito internacional.

“Além disso, quando a gente coloca em consideração todos os fatores locais, eu acho que não dá para se sustentar nesse patamar mais baixo e provavelmente o câmbio voltaria para R$ 6. Então, eu acredito que continue caindo, continue nessa toada de real ganhando força contra o dólar, mas eu acho que não se sustenta (a longo prazo)”, considera o analista.

Para o sócio da Vokin Investimentos Guilherme Macêdo, o movimento de queda do dólar ante o real desde o início do ano pode ser observado como uma reprecificação do mercado após uma valorização muito abrupta da moeda norte-americana em dezembro de 2024.

Essa percepção ganhou força após o resultado da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ter ficado menor do que a esperada por parte dos agentes do mercado. “Isso também fez com que o sentimento mais pessimista de dezembro perdesse um pouco de força”, destaca o especialista.

Apesar da valorização do real, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa/B3) encerrou em leve queda de 0,13%, aos 125.970 pontos. As ações que mais contribuíram para esse movimento no primeiro dia da semana foram as da Ambev (ABMB3), que caíram 4,77%, além da empresa de tecnologia WEG (WEGE3), que teve baixa de 2,40%.

4 mudanças no varejo brasileiro após seis meses de ‘taxa das blusinhas’

Neste início de fevereiro, completam-se seis meses desde que entrou em vigor a lei que estabeleceu a taxação em 20% para compras internacionais de até US$ 50 em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”.

A taxação foi uma resposta do governo ao pleito de varejistas, após o forte aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e aqueles importados através das plataformas online.

Para compras com valores entre US$ 50 e US$ 3 mil, a alíquota é de 60%. Além disso, incidem sobre as encomendas o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17% – patamar que será elevado a 20% em alguns Estados a partir de abril, conforme anunciado pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em dezembro.

Mesmo antes de ser anunciada, a “taxa das blusinhas” gerou forte desgaste para o governo Lula, com consumidores insatisfeitos com a perspectiva de pagar mais por itens de vestuário.

Passados seis meses da taxação em vigor, já é possível avaliar seus efeitos para a economia brasileira.

Confira as quatro principais mudanças provocadas pela “taxa das blusinhas” até agora, segundo analistas.

1. Redução das compras internacionais

Na terça-feira (28/1), a Receita Federal informou que, em 2024, entraram no país 187 milhões de remessas internacionais, queda de 11% em relação a 2023, quando foram importadas 210 milhões de remessas.

Mas dados da Receita obtidos através da Lei de Acesso à Informação (LAI) permitem uma visão ainda mais detalhada sobre o efeito da “taxa das blusinhas”.

Os números, que trazem dados separados para compras internacionais acima e abaixo de US$ 50 mês a mês, revelam uma queda de mais 40% nas importações de produtos até US$ 50 no primeiro mês de vigência da taxação.

Nos meses seguintes, as importações se recuperaram ligeiramente, mas seguiram em nível 30% abaixo da média do período anterior à vigência da lei.

“O que aconteceu é que você nivelou a competição [entre plataformas internacionais e varejistas tradicionais], tirou uma vantagem competitiva de preço muito agressiva, e hoje ficou muito mais parelho”, observa Alberto Serrentino, consultor especializado em varejo da Varese Retail.

“Isso fez com que aquela curva exponencial na qual as vendas [das plataformas digitais] cresciam de uma maneira muito agressiva – e você tinha novos players entrando, e isso estava se tornando uma bola de neve – fosse revertida”, completa.

Em julho, antes da taxação, a Receita Federal registrou a entrada de 17,9 milhões de remessas internacionais de até US$ 50, com valor declarado de R$ 1,5 bilhão.

Em agosto, quando passou a ser cobrado o Imposto de Importações de 20% sobre os itens até US$ 50, as compras nessa faixa de preço despencaram para 10,3 milhões — com valor aduaneiro de R$ 756 milhões —, numa queda de 43%, conforme os dados divulgados pelo órgão via LAI e obtidos pela BBC News Brasil por meio do site da Controladoria-Geral da União (CGU).

Para além desse efeito pontual no primeiro mês da taxação, comparando-se os quatro meses anteriores a agosto (abril a julho), com os quatro primeiros meses da tributação já em vigor (agosto a novembro), observa-se uma queda de 31% nas compras de até US$ 50.

“Teve um efeito importante, sim, em termos de mudar a demanda, a forma como os consumidores passaram a lidar com esse tipo de compra”, observa Ruben Couto, analista-chefe de consumo e varejo do Santander.

Couto estima que, antes do aumento da taxação, roupas vendidas pelas plataformas internacionais chegavam a ser em média de 30% a 50% mais baratas do que as vendidas pelo varejo tradicional, vantagem que diminuiu para faixa de 15% a 30% após a introdução da “taxa das blusinhas”.

2. Ganho de mercado das varejistas tradicionais

Um dos resultados dessa redução das compras internacionais é um aumento da participação de mercado de varejistas de vestuário tradicionais, observam os analistas.

Para fazer essa análise, Couto compara o crescimento do mercado de vestuário conforme a Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PMC/IBGE), com as vendas de varejistas listadas na bolsa de valores brasileira, sempre na comparação anual.

“No terceiro trimestre de 2024, que é quando essa taxação dos 20% de fato começou, o mercado cresceu 6%, Riachuelo 11%, Renner 12% e C&A 19%”, observa Couto.

No terceiro trimestre de 2024, o mercado brasileiro de vestuário cresceu 6%, enquanto a Riachuelo avançou 11%, a Renner 12% e a C&A 19%, diz economista

O analista pondera, porém, que essas empresas já vinham crescendo acima do mercado desde o quarto trimestre de 2023, mesmo antes da taxação.

Segundo ele, isso se deve em parte à criação do Programa Remessa Conforme em 2023.

A Receita Federal criou o Programa Remessa Conforme para regulamentar a importação de bens através das plataformas digitais.

Antes do programa, as plataformas se aproveitavam de uma isenção para remessas entre pessoas físicas de até US$ 50 para não pagar impostos.

Com a criação do programa, a alíquota do comércio eletrônico para produtos de até US$ 50 foi zerada, desde que as empresas passassem a registrar corretamente as importações. Isso durou até agosto de 2024, quando passou a vigorar a taxação de 20%, após aprovação de lei pelo Congresso.

Mesmo antes da entrada em vigor da taxação, a incerteza gerada nos consumidores pelo maior controle da Receita e pela perspectiva de alta dos impostos já contribuiu para o ganho de mercado das varejistas tradicionais, acredita o economista do Santander.

‘Queda nas compras internacionais ajudou, mas não é o único motivo pelo qual o varejo de moda foi bem no ano passado’, pondera analista

Alberto Serrentino, da Varese Retail, pondera, porém, que não é possível atribuir todo o bom desempenho das varejistas tradicionais ao Remessa Conforme e ao aumento da taxação.

“Há um mercado de trabalho que reagiu muito bem no ano passado no Brasil. O desemprego caiu, a renda cresceu, a confiança voltou e isso ajuda muito o consumo de moda”, observa Serrentino.

“Então a queda nas compras internacionais certamente ajudou a aumentar a demanda por compras no Brasil, mas não é o único motivo pelo qual o varejo de moda foi bem no ano passado.”

Daniel Arruda, analista de varejo da LCA 4intelligence, estima que, somente no mês de agosto de 2024, quando começou a valer a taxação de 20% para compras de até US$ 50, o Brasil deixou de importar R$ 750 milhões em itens de pequeno valor.

“Comparado com o faturamento do setor, segundo dados do IBGE, isso teria um potencial de impactar as vendas domésticas em 3,8%”, calcula o economista.

“E lembrando que, em abril, teremos a majoração do ICMS sobre encomendas internacionais de 17% para 20%. Então, é mais um estímulo para esse setor.”

3. Avanço da nacionalização nas plataformas digitais

Um terceiro efeito da “taxa das blusinhas” foi acelerar mudanças nas plataformas digitais, que ampliaram a nacionalização de seus portfólios, na busca por minimizar a perda de vendas.

A Shein, por exemplo, afirma que o marketplace local já representa 55% das vendas da empresa no Brasil. Nessa modalidade, vendedores brasileiros utilizam a plataforma da Shein para vender seus produtos aos consumidores.

A empresa reconhece, porém, que nem tudo que esses vendedores oferecem através da plataforma é produzido necessariamente no Brasil.

Marketplace local já representa 55% das vendas da Shein no Brasil

Questionada pela BBC News Brasil, a Shein estimou que “aproximadamente 75%” dos produtos vendidos por terceiros através da plataforma são produzidos localmente; patamar que chega a 85% para produtos de vestuário feminino, masculino e calçados, segundo a empresa.

Para além dos 55% de marketplace local, a Shein tem ainda 45% de vendas divididas entre produtos importados e a linha Shein Brasil, produzida em parceria com cerca de 300 fábricas brasileiras registradas junto à empresa.

A Shein não revela, porém, quanto a produção em parceria com fabricantes nacionais representa do seu negócio atualmente. Mas diz ter como meta chegar a 85% de vendas nacionais até 2026, somando nessa conta o marketplace local e as vendas da linha Shein Brasil.

Uma proposta de parceria entre Shein e Coteminas segue sem avanços, após a indústria têxtil brasileira entrar em recuperação judicial em meados de 2024.

A colaboração entre as empresas havia sido anunciada em abril do ano passado, após reunião entre a chinesa e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – a Coteminas é presidida por Josué Gomes da Silva, filho de José Alencar, que foi vice-presidente do Brasil durante os dois primeiros mandatos de Lula (2003-2011).

“Desde a introdução do Remessa Conforme do ano passado, todas as plataformas começaram a se adaptar e repensar um pouco o modelo no Brasil”, observa Ruben Couto, do Santander.

“Então, acredito que elas sentem o efeito do aumento da taxação, mas todas já vinham readequando seu modelo de negócios para essa mudança”, completa.

Shopee diz que atualmente 90% de suas vendas no país são de vendedores brasileiros

A Shopee afirma que atualmente 90% de suas vendas são de vendedores brasileiros.

“Acreditamos que a isonomia tributária e o fortalecimento do mercado interno são essenciais para o crescimento sustentável do e-commerce no Brasil”, disse a empresa, em nota.

A AliExpress, por sua vez, ressalta que aderiu voluntariamente ao Programa Remessa Conforme, mas critica a elevação das alíquotas.

“Essas mudanças não só alteraram a carga tributária, mas também restringiram o acesso a produtos internacionais, afetando especialmente as classes mais baixas”, disse a companhia, também em nota.

Procurada pela BBC, a Temu não respondeu a pedido de posicionamento.

4. Arrecadação recorde

Por fim, uma última mudança resultante da “taxa das blusinhas” é um aumento da arrecadação do governo federal.

A arrecadação do imposto de importação sobre remessas internacionais foi recorde em 2024, atingindo R$ 2,8 bilhões, alta de 40,7% em relação a 2023, quando foi de R$ 1,98 bilhão.

Segundo a Receita Federal, o aumento da arrecadação se deve à criação do Programa Remessa Conforme e ao estabelecimento, pelo Congresso Nacional, da tributação sobre todas as remessas, independentemente do valor da importação.

Para o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), entidade que representa os varejistas tradicionais, mesmo com a “taxa das blusinhas” e o aumento do ICMS para 20% que deve entrar em vigor em abril, os produtos nacionais seguem em desvantagem em relação aos importados.

“O país ainda está em uma condição bastante favorável à importação”, afirma Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV.

“Fazendo a composição do Imposto de Importação de 20%, com o ICMS de 17%, a carga tributária do importado é de 44,6%”, calcula o representante do varejo.

“Com o ICMS passando a 20%, a carga tributária dos importados será de 50%. Se compararmos com a carga tributária interna, que é perto de 90%, ainda tem muito caminho pela frente.”

O legado de uma líder: conheça a trajetória de Chieko Aoki, dama da hotelaria brasileira

Aos 76 anos, Chieko Aoki é um dos nomes mais influentes no Brasil, conhecida como a dama da hotelaria local. Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels, a nipo-brasileira transformou sua paixão pela hospitalidade em um império ao longo de 45 anos de carreira. Hoje, opera 21 hotéis em todo o país, cultivando o equilíbrio entre o rigor japonês e a espontaneidade verde-amarela. A marca registrada de sua gestão: compromisso, respeito e valorização das pessoas.

Em 2024, Chieko foi eleita Personalidade do Turismo pelo Global Council of Sales Marketing, entidade que visa fomentar e disseminar as melhores práticas empresariais, e tornou-se a primeira profissional do ramo hoteleiro a receber a Medalha do Mérito Turístico, concedida pelo Governo de São Paulo por suas contribuições e pela dedicação ao desenvolvimento do turismo paulista. Ela também recebeu o Prêmio CMEC Inspiração, promovido pelo Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), que destaca jornadas de impacto e liderança.

Mesmo com todo o sucesso, este ano, a empresária planeja se superar. “Quero repetir, (ter um desempenho) igual ou melhor que o ano passado, que foi excelente. Eu, como líder, sempre foco nos melhores resultados da empresa, tenho que fazer o máximo que eu posso. E é sempre achar, e eu sempre acho mesmo, que posso fazer um pouco mais”, garante.

Nascida na cidade de Fukuoka, no Japão, Chieko veio para o Brasil aos 6 anos com os pais, Kaoro Nishimura, profissional da área de eletricidade, e Takako Nishimura, dona de casa. A família foi para Bastos, no interior de São Paulo, onde uma parente era dona de propriedades rurais. “Minha mãe tinha uma tia no Brasil que era latifundiária e possuía fazendas. Ela tinha vindo há muitos anos e feito muito sucesso. Como ela era viúva e possuía muitas terras no Brasil, imagino que tenham pensado que a vida aqui era muito fácil, e decidiram vir para cá.”

Chieko e a mãe, Takako Nishimura, que completa 98 anos em março

Após dois anos em Bastos, a família mudou-se para a capital paulista. Chieko frequentou escolas públicas e afirma que sempre foi bem acolhida nos espaços educacionais. Engajada, ela aprendeu português rapidamente, ajudando seus pais quando precisavam. “Eles não sabiam nada do idioma, então eu ajudava com algumas palavras, quando perguntavam, e eles tinham amigos que ensinavam como fazer as coisas”, lembra.

Desde cedo, a empresária se interessava por buscar conhecimento, sonhando, inicialmente, em ser professora de filosofia. Apesar de não ter seguido a área, até hoje ela usa os ensinamentos filosóficos para dirigir sua empresa. “Todo negócio tem um pouco de filosofia. Você precisa ter cultura, saber o que quer, quem você é, o que pode fazer. Não se pode ficar no meio do caminho. É preciso clareza. E estruturar a empresa para esse resultado”, pontua.

Explorando outros caminhos, ela se graduou em direito na Universidade de São Paulo (USP), conquistando, posteriormente, a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas optou por não exercer a profissão. Ainda na década de 1970, ampliou sua formação com cursos de gestão, cultura e arte japonesa na Universidade Sofia, em Tóquio, o que lhe proporcionou uma visão global e interdisciplinar do mundo dos negócios.

A primeira graduação da empresária foi em direito na Universidade de São Paulo em 1973

A trajetória de Chieko no setor hoteleiro teve início após casar-se com o empresário japonês John Aoki, que a apresentou ao segmento. Mais tarde, ela se aprofundou em administração hoteleira na Universidade Cornell, nos Estados Unidos, com a intenção inicial de contribuir com os negócios do então marido.

Sua primeira oportunidade profissional na hotelaria foi como diretora de marketing da rede Caesar Park, onde seu talento foi evidenciado, chegando à presidência da empresa. Sob sua liderança, a presença da rede se expandiu no cenário internacional, com novos empreendimentos no Brasil, Estados Unidos, Portugal e Taiwan.

O reconhecimento de sua competência a levou a um novo desafio: assumir como vice chairwoman da Westin Hotels & Resorts, uma das redes hoteleiras mais renomadas do mundo, com sede em Seattle, nos EUA. Como líder, ela esteve à frente da gestão de mais de 70 hotéis em diversos países. Nesse período, a Westin se uniu à Caesar Park, compondo um grupo com mais de 90 empreendimentos, “de hotéis boutique e de luxo a mega hotéis voltados para eventos.”

Em 1997, diante da venda das redes Westin e Caesar Park e do agravamento do estado de saúde de seu marido, Chieko decidiu lançar sua própria marca no mercado: a Blue Tree Hotels & Resorts, a qual preside até hoje, com uma gestão pautada na qualidade, no atendimento diferenciado e na busca por inovação.

Atenta às necessidades do mercado, Chieko encontrou formas criativas de se desenvolver profissionalmente. Para perder o medo de falar em público, por exemplo, passou a frequentar casas de karaokê, onde perdeu a timidez e aprendeu a se expressar com mais naturalidade. O gosto por receber pessoas, por outro lado, é algo que sempre a acompanhou.

“É muito natural para mim, por isso a hospitalidade se encaixou tão bem. Também me preocupo muito com todos, de forma geral. Assim, acabei me esforçando e me aperfeiçoando naquilo que estava alinhado com minhas crenças. Por isso deu certo”, afirma.

A empresária destaca como sua experiência entre diferentes culturas influenciou sua perspectiva sobre negócios. “O brasileiro é muito aberto e fala mais, enquanto o japonês é muito mais fechado e tende a falar menos. O brasileiro é muito mais acolhedor, mesmo com pessoas que não conhece. Já o japonês é extremamente gentil, pois foi educado para ser assim. Para ele, gentileza é uma forma de respeito ao próximo, de manter a harmonia nas relações”, detalha, afirmando que absorveu o melhor dos dois mundos.

Em 1997, foi fundada a Blue Tree, cujo nome é uma homenagem ao sobrenome Aoki (“árvore azul” em japonês)

Ao longo da carreira, duas crenças guiaram Chieko. A primeira é o ensinamento de Madre Teresa de Calcutá: “Nunca deixe que alguém venha até você sem que, ao sair, se sinta melhor e mais feliz”. A segunda, trata-se “do princípio mais básico da natureza humana, presente em todas as pessoas, que é a necessidade de se sentir importante, apreciado, valorizado e reconhecido”. “Essas foram minhas orientações de vida”, conta.

Para a CEO, a chave para o sucesso está em fazer o que se gosta e buscar sempre melhorar: “Se você não gosta do que faz, não faz bem-feito. E quando você se dedica e faz bem, gosta cada vez mais”. Ela também enfatiza a importância de uma mentalidade prática, corajosa e resiliente. “Eu não tenho medo das coisas. Foco em fazer certo e dar certo. Se algo não sai como esperado, viro a página e sigo em frente. Não lamento o que já passou.”

Nesse sentido, ela compartilha que a liderança, para ela, é a responsabilidade de atingir metas e resultados, e que a inovação é essencial para o progresso. “Tenho muitos fornecedores, parceiros e colaboradores. Meu compromisso é manter empregos, melhorar salários e oferecer oportunidades de crescimento, além do compromisso com os clientes. Como líder, sempre posso fazer mais. Tem tanta gente melhor do que a gente, fazendo e criando coisas diferentes. E eu adoro coisas novas.”

Mesmo sendo reconhecida como “a dama da hotelaria brasileira”, ela afirma que nunca buscou esse título. “Eu nunca me considerei a dama da hotelaria, foi algo que as pessoas começaram a dizer. Meu projeto, na verdade, era administrar hotéis com bons resultados e garantir que tivessem uma base sólida, ou seja, um hotel que se destacasse no mercado. Esse era o meu foco.”

Além do setor hoteleiro, Chieko participa ativamente de diversas organizações e conselhos. É vice-presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau e do Grupo Mulheres do Brasil — presidido pela também empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza —, além de integrar importantes conselhos, como o do Hospital Santa Cruz, da Academia Brasileira de Eventos, da Academia Brasileira de Marketing e da Japan House São Paulo.

Chieko recebeu o Prêmio CMEC Inspiração Empreendedora 2024, entregue por Luiza Trajano durante o 5º Encontro Liberdade para Empreender, em São Paulo

Defensora da equidade de gênero, Chieko acredita que as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho. “No passado, as mulheres caminhavam por uma estrada estreita. Hoje, estão em uma grande via asfaltada e bem cuidada. E cada vez mais preparadas.”

Ela faz um apelo para que as mulheres se fortaleçam mutuamente. “Temos a responsabilidade de abrir caminhos e sermos exemplos. Mais mulheres no mercado significa mais crescimento econômico, melhores salários e mais oportunidades. É um ciclo virtuoso.”

Para ela, a persistência e a autoconfiança são essenciais para o sucesso feminino. “As dificuldades fazem parte da vida. Superar também faz. Deus não coloca fardos maiores do que podemos carregar. Então, não podemos desistir. Todas as mulheres que conheço e que tiveram sucesso têm algo em comum: a certeza de que podem e querem. Tem que querer ser líder. Tem que querer ajudar as pessoas. O querer faz avançar.”

Por fim, Chieko destaca a importância da humanização tanto nas relações interpessoais quanto na liderança. “O mundo precisa ser mais humanizado. Por que tantas guerras? Por que tanta raiva? Porque cada um pensa apenas em si. Precisamos lembrar que o outro é tão humano quanto nós”, defende.

Ela reforça que um bom relacionamento é a base para qualquer sociedade próspera. “A forma como nos relacionamos define tudo. Seja entre homens e mulheres, dentro de uma empresa ou em uma comunidade. O respeito e a consideração são fundamentais.”

Campeão do ‘BBB 7’, Diego Alemão fala pela primeira vez de prisão por porte ilegal de arma

Campeão do “BBB 7”, Diego Alemão, de 43 anos, falou pela primeira vez em uma entrevista sobre sua prisão em setembro de 2023, por porte ilegal de armas, após ameaçar disparar em ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro.

Ele explicou que, no momento da confusão, estava sendo ameaçado e, por isso, decidiu colocar uma arma na cintura para se proteger.

“Não atirei em ninguém, mas eu estava pronto para me defender”, disse ele, ao podcast “Papagaio falante”, de Sérgio Mallandro e Renato Rabelo, dando sua versão sobre o ocorrido:

“Coloquei dois grandes estelionatários do Brasil em cana, junto com amigos meus da polícia. Porque eles vieram para cima de mim, e eu falei: ‘aqui não tem bobo, não’. A gente montou uma operação policial e pegamos ele. Três dias depois eles estavam fora e vieram para cima pesado, com muita ameaça, e eu não arreguei. Hoje eu penso que seria mais barato eu ter pago. Tomei a decisão errada, decidi não pagar”.

Diego ficou preso por apenas duas horas. Em agosto do ano passado, ele firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público do Rio de Janeiro, o que resultou na ausência de um processo formal. No entanto, ele teve que pagar R$ 10 mil ao Instituto Nacional do Câncer (Inca). O MP ofereceu o acordo por entender que se tratava de um crime de menor potencial ofensivo, cujo dano poderia ser reparado por meio de uma compensação financeira.

“Foram momentos dificílimos que passei na vida. E acabei indo para um caminho que não devia. E, graças a Deus, após tomar essas pancadas…” contou ele, lembrando que sua família tentou intervir:

“Naquele momento, eu optei por parar e analisar e colaborar, e fui buscar um pouco de respeito nos EUA, para ter um pouco mais de paz e sossego. E, graças a Deus, consegui me encontrar novamente”.

Diego Alemão também compartilhou que está solteiro e voltou ao Rio de Janeiro para ficar com a mãe, após a morte de seu pai.

Em junho do ano passado, o MP havia oferecido denúncia contra Diego porque ele nem seu representante legal haviam comparecido à audiência especial para homologação do acordo proposto..

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Veja fotos do ex-BBB Diego Alemão

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Diego Alemão no Big Brother Brasil 7 — Foto: Divulgação TV Globo

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Íris, Diego Alemão e Fani no “BBB 7” — Foto: Arquivo/Globo

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O ex-BBB Diego Alemão — Foto: Reprodução

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Diego Alemão — Foto: Fabio Guimaraes / Agência O Globo

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O ex-BBB Diego Alemão — Foto: Reprodução Instagram

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Diego Alemão foi vencedor do reality show em sua sétima edição— Foto: Reprodução / Instagram

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Diego Alemão no Big Brother 7 — Foto: TV Globo / Kiko Cabral

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Diego Alemão ensaia para a dança no gelo — Foto: Divulgação

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Ex-BBB Diego Alemão saindo da 12º DP após pagar fiança por porte ilegal de armas — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Relembre o caso:

Em setembro de 2023, o ex-BBB foi preso por porte ilegal de arma ao ameaçar dar tiros em ruas da Zona Sul do Rio. De acordo com agentes, Diego dizia que daria tiros em uma esquina de Ipanema. Após as ameaças, ele pegou um táxi e foi preso na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, bairro vizinho. Ele pagou uma fiança no valor de R$ 4 mil e foi liberado.

Na ocasião, o campeão do “BBB 7” foi internado em uma clínica de reabilitação poucas horas depois de sair da 12º DP (Copacabana). Na época, o advogado dele afirmou que ele foi hospitalizado por depressão e uso de substâncias químicas. Em outubro, ele iniciou o tratamento na Califórnia.

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“Com autorização médica, decidimos dar início a tratamento específico de desintoxicação nos Estados Unidos, conhecido mundialmente por ter as melhores clínicas de reabilitação. Estive pessoalmente na clínica na Califórnia, conhecendo suas dependências, profissionais e métodos de trabalho”, afirmou o advogado na época.

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Brasil: um enredo de governabilidade e reinvenção

Eduardo Galvão — Professor de políticas públicas no Ibmec DF e diretor de public affairs da consultoria internacional Burson

Se a política brasileira fosse uma novela, estaríamos em um daqueles episódios de reviravolta — o tipo em que os personagens enfrentam dilemas impossíveis, mas, ainda assim, deixam os espectadores ansiosos pelo próximo capítulo. Só que, ao contrário da ficção, aqui não há roteirista. O Brasil está no centro de uma trama que envolve governabilidade, reformas e um povo que, apesar de tudo, ainda acredita em mudanças.

Parece simples? Não é. A política brasileira tem o dom de transformar cada avanço em um campo de batalha. Como pensa Steven Levitsky, autor de Como as democracias morrem, a democracia morre na sombra da polarização. E o Brasil, como muitos países, atravessa um momento em que as disputas vão além do campo ideológico. Elas se tornam pessoais, agressivas e paralisantes, transformando verdades em trincheiras e desacordos em conflitos permanentes.

O presidente Lula, em seu terceiro mandato, enfrenta um desafio que poderia ser tema de um épico político: governar um país dividido, em que alianças frágeis e interesses conflitantes tornam cada decisão um ato de coragem. Como destacou o Banco Mundial em relatório recente, as reformas estruturais são necessárias, mas difíceis.

É nesse contexto que entram as reformas administrativa e tributária, junto com ajustes fiscais que buscam equilibrar as contas públicas. O problema? Cada uma delas é um jogo de alto risco. Para atender ao mercado e ao Centrão, o governo pode desagradar sua base progressista. E, para agradar sua base, pode perder a confiança de investidores e aliados estratégicos.

Ainda assim, o governo precisa avançar. Sem reformas, a máquina pública continuará emperrada, os juros continuarão altos e o custo de vida seguirá sufocando a população. A inflação não é só um número, é o prato vazio na mesa do brasileiro. Essa frase, que carrega a realidade de milhões, traduz como decisões políticas afetam diretamente a vida cotidiana. Não há espaço para erros ou promessas vazias.

Enquanto o governo tenta equilibrar interesses, o Brasil segue aguardando respostas. É aqui que surge a verdadeira questão: a mudança de que o país precisa não virá apenas de Brasília. Virá da capacidade de conectar políticas públicas à realidade das pessoas. Virá de cidadãos que enxergam a própria responsabilidade no processo político.

A história recente mostra que o Brasil já superou crises enormes, mas sempre a um custo alto. Isso precisa mudar. O país tem o potencial de ser uma potência global, mas é necessário investir onde realmente importa: educação, tecnologia e redução das desigualdades. Não se trata apenas de reformas fiscais, mas de criar um modelo de desenvolvimento sustentável, onde a inclusão social seja o pilar central.

Essa nova narrativa exige mais do que líderes inspirados; exige uma população engajada. “Quem não participa da política vive as escolhas dos outros”, e essa verdade nunca foi tão urgente. O eleitor brasileiro tem em suas mãos a possibilidade de não apenas escolher quem governa, mas também de cobrar resultados e participar do processo decisório.

Um exemplo disso são as redes sociais, que deixaram de ser apenas espaços de debate para se tornarem ferramentas de mobilização e conscientização. Ao mesmo tempo, elas também podem amplificar desinformação e polarização, dois venenos que enfraquecem a democracia. Combater isso é um esforço coletivo.

O Brasil está escrevendo um capítulo decisivo de sua história. Como em qualquer boa narrativa, os desafios são o que definem os protagonistas. Mas, diferentemente da ficção, aqui não há espectadores. Todos estão envolvidos, queiram ou não.

Se “polarizar é fácil, dialogar é coragem”, qual será a coragem que teremos para enfrentar nossos desafios? O próximo capítulo do Brasil ainda não está escrito, mas cabe a nós decidir se será uma história de avanços ou mais um ciclo de oportunidades perdidas.

A política brasileira não precisa de heróis; ela precisa de pessoas dispostas a transformar indignação em ação. E, acima de tudo, precisa de uma sociedade que entenda que o futuro é construído, um passo de cada vez — mas que cada passo importa.

Copom deve elevar Selic em um ponto na reunião desta quarta-feira

Pressionado pela alta do dólar e do preço dos alimentos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide, nesta quarta-feira (dia 29), em quanto elevará a taxa básica de juros, a Selic. A reunião é a primeira sob o novo comando do presidente do BC, Gabriel Galípolo. Essa deverá ser a quarta elevação consecutiva da Selic. Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve subir 1 ponto percentual nesta reunião, de 12,25% para 13,25% ao ano.

No comunicado da última reunião, em dezembro, o Copom informou que elevaria os juros básicos em 1 ponto percentual nas reuniões de janeiro e de março. Segundo o comitê, o agravamento das incertezas externas e os ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo no fim do ano passado justificam o aumento dos juros básicos no início de 2025.

Elevação começou em setembro

Nesta quarta-feira (dia 29), ao fim do dia, o Copom anunciará a decisão. Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e uma de 1 ponto percentual.

Inflação

Na ata da reunião mais recente, o Copom alertou para o prolongamento do ciclo de alta da Taxa Selic . O órgão informou que o cenário econômico exige uma política monetária contracionista e confirmou a intenção de duas elevações de 1 ponto. O Banco Central citou a alta recente do dólar e da inflação para uma “política ainda mais contracionista”.

Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 subiu de 4,96% há quatro semanas para 5,5%. Isso representa inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% para este ano, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto — comprando e vendendo títulos públicos federais — para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

A cada 45 dias

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Pelo novo sistema de meta contínua em vigor a partir deste mês, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em janeiro de 2025, a inflação desde fevereiro de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em fevereiro, o procedimento se repete, com apuração a partir de março de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

Previsão de inflação

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de março.

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Eventos climáticos extremos aumentam fome na América Latina, aponta ONU

O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), divulgado nesta segunda-feira (27/1), revela que a América Latina e o Caribe tem 70% dos países com alta exposição a eventos climáticos extremos. Esse fenômeno tem gerado uma crescente insegurança alimentar e nutricional na região, afetando diretamente a vida de milhões de pessoas. O estudo, intitulado Panorama Regional de Segurança Alimentar e Nutrição 2024, também destaca que mais da metade dos países latino-americanos (52%) correm o risco de experimentar altos índices de subalimentação devido às mudanças climáticas.

O impacto dos eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e tempestades intensas, é uma preocupação crescente, afetando diretamente a produção de alimentos e a disponibilidade de recursos. No Caribe, por exemplo, cerca de 17,2% da população sofre com a fome, enquanto na América Central, o índice de insegurança alimentar permanece em torno de 5,8%. Apesar de algumas melhorias, ainda coloca em risco a alimentação e o bem-estar de muitos cidadãos.

O número de pessoas com fome caiu de 207,3 milhões em 2022 para 187,6 milhões em 2023, uma diminuição de 19,7 milhões. Em comparação a 2021, essa queda foi ainda mais acentuada, atingindo 37,3 milhões. Esse progresso é atribuído a fatores como o crescimento econômico de diversos países da América do Sul e a implementação de políticas públicas focadas no aumento do acesso da população a alimentos de qualidade.

Além disso, o relatório aponta uma queda nos índices de pobreza e desigualdade social, com avanços no emprego e no salário mínimo. No entanto, a segurança alimentar ainda está distante de ser uma realidade para todos, especialmente para grupos mais vulneráveis, como mulheres e moradores das zonas rurais.

Durante a apresentação dos dados, Mario Lubetkin, subdiretor-geral da FAO para a América Latina e o Caribe, ressaltou que a luta contra a fome e a construção de sistemas agroalimentares mais resilientes estão intimamente ligadas. Ele destacou a discrepância entre o aumento no acesso a alimentos e o alto custo de alimentos saudáveis, que ainda é um obstáculo significativo, principalmente para as famílias de baixa renda. Em muitos países da região, os alimentos ultraprocessados, mais baratos e acessíveis, estão tomando o lugar de opções nutricionalmente equilibradas, o que contribui para um ciclo de obesidade e subnutrição.

“O acesso aos alimentos aumentou, mas o custo ainda é um obstáculo”, afirmou.

Embora a América Latina seja uma das regiões mais poderosas em termos de produção de alimentos, o consumo de alimentos ultraprocessados têm se tornado uma preocupação crescente, uma vez que eles estão diretamente relacionados ao aumento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Para combater esse problema, a FAO sugere a adoção de políticas públicas mais rigorosas, incluindo a elevação da taxação sobre esses produtos, como uma forma de reduzir seu consumo e promover hábitos alimentares mais saudáveis.

*Estagiária sob a supervisão de Jaqueline Fonseca

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Donald Trump começa a redesenhar as relações com a América Latina

Ainda que breve, a crise entre Colômbia e os Estados Unidos, somada a uma declaração do presidente Donald Trump a jornalistas, acendeu o alerta sobre uma reformulação da política da Casa Branca para a América Latina e o Brasil. “Eles precisam de nós, muito mais do que nós precisamos deles. Não precisamos deles. Eles precisam de nós. Todos precisam de nós”, disse o republicano, horas depois da posse, em 20 de janeiro. No domingo, a negativa do presidente colombiano, Gustavo Petro, em autorizar o pouso de aviões militares com imigrantes ilegais deportados levou Trump a anunciar uma série de sanções a Bogotá. Depois de algumas horas de tensão, o governo Petro recuou, no começo da madrugada de ontem, e anunciou que os voos aterrissariam à capital colombiana ontem ou, no mais tardar, hoje pela manhã. O governo do Brasil também chegou a externar repúdio ante a chegada de imigrantes deportados algemados e acorrentados pelos pés.

Por sua vez, Honduras convocou uma reunião de presidentes e chefes de Estado da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), na quinta-feira, para debater a imigração. Para o brasilianista James Naylor Green, historiador político da Universidade Brown (em Rhode Island), Trump planeja um ataque agressivo à América Latina. “Isso ficou revelado na ameaça de tomada do Canal do Panamá e, agora, na imposição de uma tarifa de 25% sobre a Colômbia, o que levou Petro a retroceder. O republicano sabe que esta pode ser uma ferramenta eficaz para forçar a América Latina a concordar com suas políticas ou, pelo menos, não se opor abertamente a elas. O esforço para construir uma frente unida de nações latino-americanas para se levantar contra sua intimidação talvez seja uma das poucas opções. Mas essa unidade é algo difícil de se obter”, disse ao Correio.

Professor de ciência política do Amherst College, em Amherst (Massachusetts), Javier Corrales avalia que a política de Trump para a América Latina representa uma imensa mudança. “O protecionismo, a penalização e a intimidação estão aumentando. Trump gosta muito mais da ideia de pressionar os aliados dos EUA do que de pressionar os inimigos. Ele sente que os parceiros comerciais e militares tiram vantagem do país e se envolvem em parasitismo”, explicou à reportagem. “O presidente republicano gosta de pressionar publicamente os parceiros para que cumpram acordos — para se exibir e porque gosta de parecer forte. Ele realmente fala sério quando diz que não acha que a economia dos EUA se beneficie muito dos laços com a América Latina. A indicação de Marco Rubio, um especialista na região, para secretário de Estado não foi motivada pelo desejo de elevar a América Latina em temas de segurança dos Estados Unidos, mas simplesmente pelo fato de ele ser um político comprovadamente leal.”

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De acordo com Corrales, a América Latina sempre teve problemas para traçar uma reação coordenada, especialmente quando se trata dos EUA. “Não imagino que haverá uma frente unida contra Trump, mas todos condenarão o unilateralismo de Trump. Todos dirão que se trata de um retorno às políticas dos Estados Unidos do início do século 20”, afirmou. Ele aposta em três maneiras diferentes de responder ao governo do republicano. “Uma delas é evitar conflitos e dizer ‘sim’ para tudo. Outra é se envolver em um confronto público, em um esforço para reunir apoio de setores anti-imperialistas. Uma terceira possibilidade é negociar com Trump sobre questões com as quais ele se importa, como a imigração, em troca de favores especiais, como silenciar-se sobre questões de governança doméstica.”

O especialista de Amherst acredita que a Casa Branca, sob a atual administração, obrigará mais presidentes a buscar laços mais sólidos com a China. “Em outras palavras, se Trump não mudar de rumo, irá acelerar o mesmo resultado que muitos conservadores querem evitar: a aproximação com a China”, advertiu. Miguel Tinker Salas — historiador e cientista político do Pomona College (em Claremont, Califórnia) — explicou ao Correio que o presidente republicano busca projetar o poder dos EUA na relação com a América Latina, ainda que o mesmo tenha limites próprios.

“Suas ações poderiam acabar por desestabilizar a região, que não está preparada para receber milhares, ou até mesmo milhões, de imigrantes”, alertou. Segundo ele, as deportações não impactarão somente a América Latina. “Indústrias inteiras nos EUA dependem de mão de obra imigrante, sem a qual elas poderiam entrar em colapso, levando à inflação e à escassez em território americano”, observou. Tinker Salas acrescentou que, além de interromperem padrões comerciais tradicionais, as ações de Trump dificultam que qualquer líder na América Latina apoie qualquer iniciativa dos EUA sem temer uma reação interna.

Historiadora da Universidade da Califórnia (Ucla) e diretora da cátedra de história da América Latina, Robin Derby entende que as políticas de Trump para a América Latina estão apenas tomando forma. Para ela, as prioridades do novo presidente não estão claras, mas parecem ser transacionalistas por natureza, e não governadas pelo nacionalismo ou pela ideologia. “O fato de Marco Rubio ter sido nomeado secretário de Estado indica que isso pode mudar, especialmente devido à ênfase do governo na imigração”, sustentou.

Derby lembrou que, durante o primeiro mandato, as únicas políticas significativas em relação à América Latina contemplavam o endurecimento das sanções a Cuba e à Venezuela. “Trump fez apenas uma visita à América Latina durante seu primeiro mandato e apenas porque participou de uma cúpula na Argentina. Seus comentários recentes sobre a Groenlândia e o Canal do Panamá parecem estar se inclinando para uma visão expansionista dos EUA mais do século 19, o que é surpreendente e anacrônico”, afirmou ao Correio.

Javier Corrales, professor de ciência política do Amherst College, em Amherst (Massachusetts)

“Neste mundo, a posição de que países não precisam um dos outros é uma forma de isolacionismo que não fez sentido. Todos os problemas do mundo de hoje, desde as mudanças climáticas até o crime e a ciber-regulação, assim como todas as formas de prosperidade, os elos comerciais e a cadeia de abastecimento, são internacionais e interdependentes.”

Javier Corrales, professor de ciência política do Amherst College, em Amherst (Massachusetts)

James Naylor Green, historiador político da Universidade Brown (em Rhode Island)

“O secretário de Estado, Marco Rubio, intensificará uma campanha contra certos países —Cuba, Nicarágua e Venezuela. Ao mesmo tempo, tratará o governo Lula como um regime esquerdista radical, da mesma forma que a extrema-direita o critica, alegando tratar-se de uma ditadura que tolhe a liberdade de expressão e impõe a censura.”

James Naylor Green, historiador político e professor da Universidade Brown (em Rhode Island)

Robin Derby, historiadora da Universidade da Califórnia (Ucla) e diretora da cátedra de história da América Latina

“Estamos vendo resistência às deportações de Trump por parte de Guatemala, México e Colômbia, o que é algo muito interessante, que pode realmente dificultar seus esforços para promulgar uma de suas maiores promessas. O Brasil é uma grande potência econômica e pode emergir como um fator em seus esforços para desafiar as incursões da China na região.”

Robin Derby, historiadora da Universidade da Califórnia (Ucla) e diretora da cátedra de história da América Latina

Autoridades do governo Trump determinaram à Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA um “aumento agressivo” no número de detenções diárias de imigrantes não documentados. A determinação é ampliar de algumas centenas de prisões para entre 1,2 mil e 1,5 mil por dia, revelou o jornal The Washington Post. A justificativa é a de que Trump estaria decepcionado com os resultados da campanha de deportação em massa. No domingo, foram capturados 956 imigrantes.

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É possível viajar sem estourar o orçamento mesmo com o dólar em alta

É possível viajar sem estourar o orçamento mesmo com o dólar em alta (Com um planejamento financeiro bem elaborado e algumas estratégias inteligentes, é possível minimizar os impactos das oscilações cambiais e aproveitar ao máximo a experiência de viagem. (Foto: rjp85/Getty Images Signature))

Viajar para o exterior é um sonho para muitos brasileiros, mas a alta constante do dólar nos últimos anos tem tornado essa realidade mais desafiadora. Para quem já tem uma viagem marcada, as preocupações aumentam, já que os custos no destino — como hospedagem, alimentação e passeios — podem pesar ainda mais no orçamento. A boa notícia é que, com um planejamento financeiro bem elaborado e algumas estratégias inteligentes, é possível minimizar os impactos das oscilações cambiais e aproveitar ao máximo a experiência de viagem. Nesta análise, você encontrará orientações práticas para enfrentar a alta do dólar, manter o controle sobre os gastos e transformar sua viagem em uma experiência inesquecível que se ajusta ao seu orçamento.

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A alta do dólar e seus fatores

A valorização do dólar em relação ao real reflete um cenário menos favorável para a moeda brasileira devido a questões que estão ocorrendo tanto no Brasil quanto no exterior. Fatores como as incertezas fiscais internas e expectativas sobre a nova gestão nos Estados Unidos têm gerado instabilidade nos mercados, aumentando a percepção de risco entre investidores e contribuindo para a alta da moeda americana.

Historicamente, o dólar tem demonstrado uma trajetória de alta em relação ao real. A taxa de câmbio nominal, que representa o valor de uma moeda em relação a outra sem considerar os efeitos da inflação, é um dado que pode ilustrar essa dinâmica. Por exemplo, de acordo com dados do Banco Central, a taxa de câmbio nominal era de R$ 1,86 em dezembro de 2011 e alcançou R$ 6,18 em dezembro de 2024. Essa elevação evidencia a valorização do dólar frente ao real ao longo dos anos.

No entanto, com algumas estratégias práticas, é possível contornar esses desafios e aliviar o impacto no bolso. A seguir, você encontrará dicas essenciais para driblar a alta do dólar e aproveitar sua experiência internacional sem comprometer o orçamento.

Estratégias para mitigar o impacto da alta do dólar

Para quem já está com a viagem marcada ou pretende viajar em breve, há diversas estratégias para mitigar os efeitos da desvalorização da nossa moeda no orçamento da viagem. Confira a seguir as 6 dicas práticas para driblar a alta do dólar:

O primeiro passo para organizar sua viagem internacional, especialmente em tempos de alta do dólar, é revisar cuidadosamente o orçamento.

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Separe suas despesas em categorias, como transporte, hospedagem, alimentação, passeios e compras. Identifique as prioridades e elimine ou substitua gastos que não são essenciais. Por exemplo, você pode optar por passeios gratuitos ou com descontos e explorar restaurantes menos turísticos, que oferecem boa comida a preços mais acessíveis.

Além disso, avalie quanto você pode gastar na viagem. Estime os custos diários no destino, incluindo transporte, alimentação, passeios e compras. Esse cuidado ajuda a evitar surpresas e mantém o controle financeiro.

Antecipar gastos pode ser outra estratégia inteligente. Comprar ingressos para atrações e reservar serviços com antecedência protege contra futuras oscilações cambiais e facilita o planejamento financeiro.

Utilizar ferramentas como planilhas é essencial para manter o controle sobre suas despesas e garantir que o planejamento esteja alinhado com seus objetivos.

A escolha da melhor forma de pagamento depende de diversos fatores, incluindo o destino, o perfil do viajante e o orçamento disponível. A seguir, analisamos os prós e contras das 4 principais opções disponíveis:

Dinheiro em espécie: É uma das opções mais acessíveis e práticas para pequenos gastos diários, como transporte, alimentação e lembranças. Ele possui a vantagem de um IOF reduzido (1,1% atualmente), sendo a modalidade com a menor tributação na conversão de moeda. Porém, é necessário cautela devido ao risco de perda ou roubo. Para evitar problemas, leve apenas o necessário para despesas menores e distribua o valor em diferentes locais na bagagem e na carteira, respeitando as regras de transporte de valores do país.

Cartão pré-pago: É uma excelente ferramenta para quem deseja maior previsibilidade nos gastos, pois permite travar a cotação do dólar no momento da recarga. Além disso, é mais seguro que o dinheiro em espécie, já que pode ser bloqueado em caso de perda ou roubo. Contudo, é fundamental estar atento às taxas de recarga e saques, que podem variar conforme a instituição emissora, além do IOF de 4,38% vigente atualmente o que significa que uma compra de R$ 100 geraria uma taxa de R$ 4,38.

Cartão de crédito: Oferece praticidade e segurança, sendo indispensável para emergências ou compras pontuais durante a viagem. Entretanto, apresenta um IOF de 4,38% e o câmbio aplicado é o da data de processamento da compra, o que pode gerar valores inesperados devido às oscilações da moeda. Por isso, seu uso deve ser moderado. Alguns cartões oferecem benefícios como seguro-viagem e programas de recompensas, que podem agregar valor ao planejamento.

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Conta global: Essa modalidade tem se destacado como uma alternativa prática e econômica para lidar com a alta do dólar. Trata-se de contas correntes que podem ser abertas ainda no Brasil. Geralmente, o processo é simples, pode ser realizado pelo celular e, dependendo da instituição escolhida, é gratuito.

Com um IOF reduzido (1,1%) nas transferências, as contas globais permitem converter reais para dólares ou outras moedas com taxas mais competitivas. Além disso, possibilitam realizar conversões de forma gradual, o que ajuda a suavizar os impactos das flutuações cambiais. O saldo em moeda estrangeira pode ser acessado por meio de um cartão vinculado à conta, sendo ideal para compras e saques no exterior.

Antes de optar por essa modalidade, é importante verificar as tarifas de manutenção ou transferência cobradas pela instituição para garantir que seja uma escolha realmente vantajosa.

Entre os 4 meios de pagamento, o cartão pré-pago oferece maior controle financeiro ao travar a cotação no momento da recarga, enquanto o cartão de crédito é mais adequado para emergências ou compras pontuais, devido à sua praticidade, apesar da incerteza cambial. O dinheiro em espécie e contas globais têm a vantagem de garantir o câmbio no momento da compra, ao contrário do cartão de crédito, que depende da cotação no dia do processamento, adicionando incertezas.

Além disso, a troca em casas de câmbio reduz o IOF para 1,1%, representando uma economia em relação à alíquota de 4,38% aplicada aos cartões. Com o dólar em patamar elevado, adotar essa estratégia ajuda a equilibrar o orçamento durante a viagem.

A melhor abordagem é diversificar: leve uma pequena quantia em espécie para gastos menores, utilize o cartão pré-pago para despesas principais e mantenha o cartão de crédito como opção para imprevistos.

Agora vamos a uma dúvida comum entre os viajantes: é uma boa ideia comprar dólar mesmo em tempos de alta? Sim, a compra de moeda deve ser feita de forma gradual, aproveitando dias de cotações mais favoráveis. Essa estratégia ajuda a diluir o impacto das flutuações cambiais, construindo um preço médio mais vantajoso e reduzindo a exposição a picos de alta.

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Aqui está uma simulação que ilustra a compra mensal de 200 dólares entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024. A simulação também calcula o preço médio ao longo do período, demonstrando os benefícios da disciplina nas compras mensais.

Para a simulação, consideramos os seguintes pontos:

– Compra mensal fixa de 200 dólares.

– Cotações simuladas baseadas na cotação do dólar em cada um dos períodos.

– Cálculo do preço médio acumulado ao longo do tempo.

Mês Cotação do Dólar (R$) Valor Pago (R$) Acumulado em US$ Acumulado em R$ Preço Médio (R$/US$)

Dez/2023 5.30 1,060.00 200 1,060.00 5.30

Jan/2024 5.35 1,070.00 400 2,130.00 5.33

Fev/2024 5.40 1,080.00 600 3,210.00 5.35

Mar/2024 5.50 1,100.00 800 4,310.00 5.39

Abr/2024 5.60 1,120.00 1,000 5,430.00 5.43

Mai/2024 5.55 1,110.00 1,200 6,540.00 5.45

Jun/2024 5.70 1,140.00 1,400 7,680.00 5.49

Jul/2024 5.65 1,130.00 1,600 8,810.00 5.51

Ago/2024 5.80 1,160.00 1,800 9,970.00 5.54

Set/2024 5.75 1,150.00 2,000 11,120.00 5.56

Out/2024 6.00 1,200.00 2,200 12,320.00 5.60

Nov/2024 6.10 1,220.00 2,400 13,540.00 5.65

Dez/2024 6.20 1,240.00 2,600 14,780.00 5.68

Resultado da simulação:

– Total em dólares acumulado: 2.600 dólares.

– Total pago em reais: R$ 14.780,00.

– Preço médio final: R$ 5,68 por dólar.

Nessa simulação, conclui-se que o preço médio do dólar foi menor do que as cotações mais altas registradas no final do período. Isso ocorre porque o investidor aproveitou os meses iniciais, quando as cotações estavam mais baixas, diluindo o impacto das altas posteriores.

Dessa forma, a compra gradual de moeda estrangeira ao longo do tempo é uma estratégia eficaz para suavizar as oscilações do câmbio e evitar picos desfavoráveis, proporcionando maior controle sobre os custos. Além disso, essa abordagem protege o investidor de que sua viagem se torne inviável em caso de uma alta do dólar nas vésperas da viagem.

Investir o valor destinado à viagem em aplicações seguras e rentáveis é uma estratégia eficiente para proteger seu orçamento e maximizar seus recursos. O rendimento obtido pode ser usado para cobrir gastos imprevistos, como uma alta inesperada no dólar, despesas médicas ou até mesmo para complementar despesas com passeios, compras ou melhorias na hospedagem.

O Tesouro Selic, por exemplo, é uma opção de investimento em renda fixa considerada de baixo risco, ideal para objetivos de curto prazo. Ele oferece liquidez diária e acompanha a taxa básica de juros da economia (a Selic). De acordo com a projeção dos nossos especialistas, a Taxa Selic, atualmente em 12,25%, deve continuar oferecendo uma rentabilidade atrativa para quem investe em produtos atrelados a ela, com expectativa de alcançar 15,5% em 2025.

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Para ilustrar, ao investir R$ 10.000,00 a uma taxa de 12,25% ao ano, equivalente a atual taxa Selic, o montante acumulado ao final de 12 meses seria de aproximadamente R$ 11.000,00 líquidos, ou seja, já considerando o desconto de impostos.

Essa rentabilidade representa quase 1% ao mês, um percentual muito atrativo quando pensamos em taxas de retorno de investimentos, ainda mais se levarmos em consideração que, investimentos da categoria renda fixa tem, por característica, menor risco, o que pode equilibrar os impactos da alta do dólar, proporcionando maior tranquilidade financeira e flexibilidade para sua viagem.

Por fim, com um planejamento financeiro cuidadoso e estratégias bem definidas, é possível minimizar os efeitos de um câmbio desfavorável e aproveitar a viagem internacional sem comprometer o orçamento. Adotar a estratégia de compra gradual de dólar, que permite construir um preço médio mais vantajoso, é uma excelente forma de suavizar as oscilações cambiais e reduzir os impactos financeiros.

Além disso, a diversificação dos meios de pagamento, o investimento em opções seguras e um orçamento bem ajustado oferecem a segurança necessária para transformar o sonho de viajar em realidade, com tranquilidade para aproveitar cada momento ao máximo.

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