Haddad vê inflação dentro da normalidade

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a inflação no patamar entre 4% e 5% está dentro da normalidade para o Plano Real. A declaração foi dada durante a conferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Al-Ula, na Arábia Saudita.

“O Brasil tem feito um trabalho, tentando encontrar um caminho de equilíbrio e sustentabilidade mesmo em fase de um ajuste importante. O Brasil deixou uma inflação de dois dígitos há três anos. Hoje temos uma inflação em torno de 4% a 5%, que é uma inflação relativamente normal para o Brasil desde o Plano Real há 26 anos”, disse o ministro.

Haddad participou do painel “Um caminho para a resiliência dos Mercados Emergentes”. Em seu discurso, ele abordou como a valorização do dólar pressionou a inflação no Brasil, levando o Banco Central a adotar uma política monetária contracionista.

“Por isso o Banco Central teve de intervir para garantir que a inflação fosse controlada”, destacou. Enquanto isso, economistas do mercado financeiro voltaram a elevar suas projeções para a inflação pela oitava semana consecutiva.

Segundo os dados do último Boletim Focus, divulgados nesta pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 passou de 5,58% para 5,60%. Para 2026, a projeção subiu de 4,30% para 4,35%. A estimativa para 2027 subiu de 3,90% para 4,00%, enquanto para 2028, passou de 3,78% para 3,80%.

A revisão das projeções afasta ainda mais a inflação da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% em 2025. A margem de tolerância para que ela seja considerada cumprida é de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.

A manutenção das expectativas acima da meta sugere que há incertezas fiscais e externas pesando nas decisões dos agentes econômicos, o que pode dificultar a convergência da inflação. No que diz respeito aos juros, a expectativa é de que a taxa básica da economia, a Selic, encerre o ano em 15%. De acordo com Haddad, a recente valorização do real frente ao dólar pode ajudar no controle dos preços e interromper o ciclo de alta na taxa básica de juros, a Selic. “O aumento das taxas será no curto prazo.

O dólar voltou a um nível adequado e caiu 10% nos últimos 60 dias. Eu acho que isso vai fazer com que a inflação se estabilize”, afirmou.

Eficácia comprometida Mesmo com a Selic elevada, o fato de as expectativas de inflação não cederem no ritmo esperado pode indicar um misto de fatores, conforme destacou Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos.

“Uma resistência inflacionária estrutural, dúvidas sobre a condução da política fiscal e um possível repasse cambial, já que o dólar segue em patamar elevado”, disse, ao apontar as possíveis razões.

Segundo ele, esse cenário “compromete a eficácia dos juros altos e reforça a necessidade de uma comunicação mais clara do BC e do governo sobre a estratégia para equilibrar crescimento e controle da inflação”. “O corte de juros, que antes parecia um cenário possível para o fim do ano, pode ser postergado se essa deterioração das expectativas continuar”, avaliou.

“O mercado parece estar antecipando que a inflação pode exigir um ajuste mais incisivo e prolongado, o que pode impactar a recuperação da atividade econômica e manter o custo de capital elevado. O desafio agora é entender até que ponto esse movimento é reflexo de uma inflação persistente ou apenas uma reação temporária do mercado”, completou Lima.

João Kepler, CEO da Equity Fund Group, alertou ainda sobre os possíveis efeitos da taxação de importações pelos Estados Unidos. “Esse ambiente de instabilidade reforça a necessidade de uma comunicação clara das autoridades econômicas e de medidas que tragam previsibilidade para o mercado. Ainda não sabemos os efeitos reais das políticas tarifárias de Trump, mas acredito que ainda devemos sentir”, ponderou.

Biocombustíveis não encarecem os alimentos

Arnaldo Jardim, deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA)

Com uma alta de 7,69% em 2024, o preço dos alimentos levou a inflação para além da meta de 4,5%, estabelecida pelo Banco Central, fechando o ano em 4,83%. Nesses dois primeiros meses de 2025, as prateleiras dos supermercados continuam pressionando o Índice Geral de Preços-Mercado (IGPM), ainda que os dados desta semana mostrem uma mudança.

Para aliviar a pressão do desgaste, não faltaram atitudes intempestivas do governo, como o anúncio de uma pretensa intervenção nos preços para baratear os alimentos, anunciada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, ou a declaração do presidente Lula de que os biocombustíveis, como biodiesel e o etanol de milho, são os verdadeiros vilões da carestia.

O preço do óleo de soja, que ficou muito caro durante a pandemia, sofreu uma forte deflação, em 2023, de 36%. Os preços voltaram a subir a partir do segundo semestre do ano passado com a quebra da safra de soja 23/24, devido a fatores climáticos. Foram produzidos 147,38 milhões de toneladas da oleaginosa na safra 23/24, frente a 154,6 milhões de toneladas em 22/23, uma queda de 8,7%. Está prevista uma safra recorde em 2025, o que certamente reduzirá a pressão sobre os preços, ou seja, uma redução como a que ocorreu em anos anteriores.

Na verdade, o aumento do esmagamento da soja para produção de biodiesel amplia a oferta de farelo no mercado com consequente redução do preço da proteína animal. Com uma participação média de 22% na fabricação das rações para animais, o farelo garante uma economia de 3,5 bilhões em despesas com proteínas animais, equivalente a uma redução de 0,05% no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Além disso, quanto maior o esmagamento, maior a produção de óleo comestível.

Em relação ao etanol de milho, estudo conduzido pelo professor Marcelo Justus, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), intitulado Did the entry of the corn ethanol industry in Brazil affect the relationship between domestic and international corn prices, mostra que a expansão da indústria de etanol de milho no Brasil não impactou os preços do grão nem os custos dos alimentos. Consequência do aumento da produtividade agrícola em função da adoção de novas tecnologias e da possibilidade de colheitas múltiplas.

Segundo os pesquisadores, a chamada “safrinha” brasileira, uma segunda safra de milho plantada após a colheita da safra principal, aumenta a produção de milho sem afetar o preço, o que nos permite produzir energia a partir de biocombustíveis sem comprometer a oferta alimentar. O estudo, publicado na GCB Bioenergy — revista conceituada na área de energia sustentável —, mostra ainda que os preços do milho no Brasil estão muito alinhados com o mercado internacional, cuja flutuação acompanha conjecturas pontuais.

Podemos concluir, com firmeza, que a inflação dos alimentos não é responsabilidade dos biocombustíveis, cuja contribuição para o meio ambiente e para a economia é inegável. A solução é o aumento da produção, que depende de financiamento e previsibilidade, questões para as quais o governo pode contribuir decisivamente, ao invés de adotar medidas intempestivas.

Em novembro de 2024, o presidente Lula sancionou, em uma grande cerimônia, a Lei do Combustível do Futuro, que visa ampliar a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética brasileira. As estimativas são de que o novo marco traga mais de 200 bilhões de investimentos para o Brasil. Lançar dúvidas sobre a virtuosidade dos biocombustíveis manda uma mensagem negativa para o investidor, sugerindo que pode haver uma mudança de rota a qualquer momento e o país deixe de investir em biocombustíveis.

Artigo: O fim do PSDB

André Gustavo Stumpf*

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) governou o Brasil por dois mandatos consecutivos, nos governos Fernando Henrique Cardoso. Governou o estado de São Paulo por mais de 28 anos e, nos dois longos momentos, teve influência direta sobre a história do país. Ao longo do mandato presidencial tucano, o crescimento da economia brasileira foi de 2,3% ao ano. Ocorreram inúmeras privatizações que precederam a modernização de diversos setores antes controlados pelo Estado, como as telecomunicações. Ninguém imagina que o PT tivesse a capacidade de privatizar o imenso e rico setor de telecomunicações e colocar o sistema de telefones celulares em pleno funcionamento no país.

No governo, FHC terminou com a hiperinflação (que, antes de seu governo, chegou a alcançar de 1.000% ao ano). Acabou a loucura de os preços aumentarem todos os dias. Houve a criação de programas sociais pioneiros, como o Bolsa-Escola, o Auxílio-Gás e o Bolsa-Alimentação (posteriormente unidos em um só programa, o Bolsa Família, pelo governo Lula), além do início da reforma do Estado, com a implantação de Agências Reguladoras, do Ministério da Defesa, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Controladoria Geral da União (CGU). A implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal foi um marco na regulação do uso de verbas públicas em todos os níveis administrativos do país.

Neste período, também, ocorreu uma enorme e profunda reforma na educação brasileira. Foi criado o sistema de vestibular para todo o país. Melhorada a fiscalização das instituições de ensino superior e permanente preocupação com o aumento da taxa de alfabetização. O governo obteve notável resultado, também, com a criação dos remédios chamados genéricos, que não utilizam a marca de fantasia do produto.

Com isso, os remédios ficaram muito mais baratos de um dia para o outro. A vida do pobre se facilitou muito. Por último, houve significativo avanço na área de petróleo, a Petrobras voltou a ser autônoma e o governo vendeu vários de seus ativos, dispendiosos e deficitários.

Na política internacional, o país transitou bem porque o presidente Fernando Henrique, um scholar, fluente em inglês, francês e espanhol, gostava de fazer viagens, conversar e trocar ideias com líderes de outros países. Desenvolveu uma amizade próxima com Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos. Foi convidado e aceitou desfrutar de um fim de semana em Camp David, casa de campo do presidente dos Estados Unidos. Em momento grave, o governo de Washington auxiliou o Brasil na obtenção de empréstimos para consolidar o plano real e manter o país com capacidade de quitar suas dívidas. Foi um período tranquilo de baixa inflação, crescimento razoável e tranquilidade política, ressalvados os escândalos provocados pela militância do PT, que criou o famoso “Fora FHC”, sem maiores consequências, além das retóricas.

Depois do PSDB, entrou em cartaz o governo Dilma Rousseff que governou o país por quase dois mandatos. Foi interrompido pelo impeachment. A inflação, no período, disparou, o crescimento da economia caiu, e a administração não conseguiu avançar em nenhum setor. Estacionou nos discursos ideológicos e não construiu nada substancial para a sociedade. Foi um tempo perdido, mas de fortes emoções políticas. Até que a presidente, depois de um patético discurso no Senado Federal, teve seu mandato interrompido. Até hoje o PT tenta criar a narrativa de que houve um golpe parlamentar. Mas o processo correu no Congresso Nacional, com amplo direito de defesa, presidido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, nomeado pelo presidente Lula para compor a mais alta corte de justiça brasileira. Hoje, ele é ministro da Justiça do atual governo.

Historiadores tentam explicar como os impérios acabam, países terminam e civilizações naufragam. As explicações são diversas. Edward Gibbon, por exemplo, diz em seu monumental “Declínio e queda do Império Romano”, que o fenômeno do fim de Roma, decorreu de vários motivos, entre eles, o triunfo da barbárie e da religião, algo semelhante ao que ocorreu no Brasil nos últimos anos. No futuro, alguém vai estudar como o grupo de políticos qualificados, que ousaram romper com o poderoso PMDB de Orestes Quércia, colocaram o país no rumo da social-democracia europeia, mas não conseguiram fazer sua mensagem chegar a maioria dos brasileiros. O partido perdeu o poder por não saber dialogar com a história, as tradições e as características dos brasileiros. O PSDB caminha para se aninhar no ninho do PSD, ainda neste semestre. E aí se dissolver. Vai perder o pouco que lhe resta de originalidade. O sonho social-democrata terminou cedo no mundo latino-americano.

*Jornalista

Artigo: Como a alta dos juros impacta o acesso à educação?

Nivio Lewis Delgado*

O acesso ao ensino superior no Brasil registrou o maior crescimento dos últimos dez anos em 2023. Nesse período, o número de matrículas nas redes pública e privada subiu 5,64% — avanço impulsionado pelo incremento do volume de estudantes nos cursos de ensino a distância (EAD). Os dados fazem parte do Censo da Educação Superior.

Embora positivo, o resultado ainda é insuficiente, frente ao potencial de aumento de ingressantes. A mesma pesquisa, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), aponta que apenas 21% dos alunos que concluem o ensino médio na rede estadual entram para a universidade no ano subsequente. Mas, afinal, por que isso acontece?

Poderíamos elencar diversos motivos para justificar esse descompasso, como a falta de informação sobre as formas de acesso, a aposta no empreendedorismo, dinâmicas em sala de aula incapazes de capturar a atenção dos universitários, e dificuldades para conciliar estudos e trabalho. Quero, contudo, debruçar-me sobre a razão apontada como a principal por pesquisa recente da Deloitte: restrições financeiras. Mensalidades que não cabem no bolso do estudante e a disputa acirrada por vagas em universidades públicas acabam por distanciar o jovem do tão sonhado curso de graduação.

A necessária elevação da taxa básica de juros, anunciada recentemente pelo Banco Central (BC), representa um desafio adicional nesse contexto. A alta da Selic para 13,25% ao ano, no intuito de combater a desancoragem das expectativas de inflação, influencia diversos setores da economia, entre eles, o da educação. E já há novos reajustes previstos para março de 2025. Quando a Selic sobe, o aumento do custo de capital para as instituições de ensino tende a dificultar ainda mais a realização de suas missões educacionais. Com uma economia mais apertada, também é factível que haja maior evasão, tendo em vista a dificuldade de alguns alunos para honrarem o pagamento do curso.

Diante desse cenário, o crédito educacional, em que o aluno entra para a universidade e restitui o valor total das mensalidades somente após a conclusão do curso, funciona como uma alternativa que contribui para a manutenção e o crescimento de matrículas no ensino superior. Há opções no mercado que dispensam a cobrança de juros remuneratórios, ou seja, que não tomam a Selic por parâmetro. Esse tipo de solução funciona há décadas e vem garantindo acesso a milhares de pessoas — promovendo a inclusão educacional e produtiva de jovens que concluem o ensino médio em escolas públicas.

Dados apontam que o Brasil é um dos países com a pior taxa de produtividade entre 67 economias no mundo. Em 2024, caiu duas posições no ranking divulgado anualmente pelo Institute for Management Development (IMD), passando a ocupar o 62º lugar. Não por coincidência, o país mais bem avaliado, Singapura, é também o que lidera a nota no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), ou seja, investir em educação é apostar em desenvolvimento e competitividade, a partir do aumento da produtividade per capita.

A relação entre estudo e inclusão produtiva é evidente. Em 2023, 24% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos de idade não estudavam nem trabalhavam. A situação é pior do que em boa parte dos países desenvolvidos, conforme levantamento divulgado neste ano pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O relatório aponta a formação acadêmica — ou a falta dela — como um dos fatores determinantes na hora de conseguir um emprego, reforçando mais uma vez essa tese.

Para superar esse desafio, é imprescindível que, para além das soluções de crédito privado, o país fortaleça investimentos em políticas públicas eficazes. Essas políticas devem priorizar a democratização do acesso ao ensino, a valorização dos professores, a ampliação de vagas nas universidades e a oferta de apoio financeiro contínuo a estudantes.

Somente por meio de um conjunto integrado de ações será possível diminuir a disparidade entre o número de jovens que concluem o ensino médio e aqueles que conseguem ingressar e concluir uma graduação. Não podemos deixar que o custo de capital aumente ainda mais o risco de sermos uma nação desigual em oportunidades e pouco produtiva em comparação a outros países, pelo baixo investimento em ensino. É tempo de acreditar — e de fazer acreditar — em alternativas, para que o Brasil volte a crescer pelas mãos da educação.

*Presidente da Fundacred

Artigo: Dominância fiscal ou dominância reputacional?

Benito Salomão*

Em dezembro, os preços financeiros passaram por uma intensa volatilidade. Naquele período, leu-se na imprensa que esse comportamento estava relacionado com a dinâmica da política fiscal, após o fatídico anúncio da isenção do Imposto de Renda para contribuintes cuja renda é inferior a R$ 5.000. Aquele contexto, já revertido nas primeiras semanas de 2025, estimulou o debate sobre uma eventual dominância fiscal no país. Tem sido muito comum, na última década, diagnosticar dominância fiscal como a causa de todas as turbulências. Isso leva, fatalmente, à banalização do conceito.

O conceito de dominância fiscal é de Sargent e Wallace (1981). Antes dessa contribuição, prevalecia no debate econômico a ideia de Friedman (1970, pág. 24) de que a “inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário”. Essa hipótese esteve calcada na tradicional visão monetarista, observada nos clássicos modelos de Curva de Phillips, cujos resultados de política supunham que a política monetária seria eficiente e suficiente para desinflacionar uma economia. Foram Sargent e Wallace que, pela primeira vez, demonstraram, a partir da formulação do conceito de dominância fiscal, que a inflação pode ter causas fiscais.

A tese dos autores é a de que a economia pode se organizar em dois regimes de coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Se a política fiscal é intertemporalmente equilibrada, tal como nos modelos de Equivalência Ricardiana de Barro (1974), há dominância monetária, o que significa dizer que a inflação responde aos estímulos ou desestímulos da política monetária tal qual o observado no modelo monetarista. Por outro lado, se há subordinação da política monetária à fiscal, de forma que os deficits contraídos obriguem a autoridade monetária a financiá-los por via das receitas de senhoriagem (emissão monetária), há dominância fiscal e o BC perde o controle sobre a inflação.

Neste sentido, para que haja dominância fiscal, é condição sine qua non se verificar simultaneamente: 1) déficits; 2) receitas de senhoriagem e; 3) inflação. A economia brasileira vem operando em déficits sistemáticos desde 2014, ano da crise das pedaladas fiscais. No entanto, esses déficits não têm sido financiados via senhoriagem, mas sim pela emissão da dívida pública que cresceu fortemente entre 2014 e 2022. Porém, uma dívida pública elevada não configura dominância fiscal no sentido clássico. Muitos economistas têm confundido o conceito clássico de dominância fiscal com as abordagens mais contemporâneas da Teoria Fiscal do Nível de Preços (TFNP) de Cochrane (2021). Existem pontos de semelhança entre as duas abordagens, mas não pode se dizer que são a mesma coisa.

Na TFNP, a inflação é causada quando as expectativas dos resultados primários são insuficientes para estabilizar o endividamento público, indicando que no futuro a dívida seria monetizada (paga via emissão monetária) resultando em uma expansão da inflação já no presente. Encontrar o ponto de monetização dessa dívida, no entanto, não é tarefa simples.

Ademais, mesmo a TFNP, que incorpora a dívida pública como uma variável importante na determinação da inflação, não parece ser o caso no Brasil. Nos últimos dias, o IBGE divulgou a inflação relativa a janeiro, os 0,16% de elevação dos preços foi a menor taxa para este mês desde o plano Real. É bem verdade, que este dado contrasta com uma inflação acumulada acima da meta, porém não se trata de uma inflação crônica, nem explosiva, tão pouco tem cara de ter causas fiscais. É preciso lembrar que o deficit do governo central de 0,09% em 2024, foi o menor dos últimos 10 anos e é possível que haja um pequeno superavit em 2025.

Essa inflação, que vem performando acima da meta desde a saída da pandemia, teve seu impulso inicial atrelado à gargalos em cadeia de suprimentos (um choque de oferta clássico). De lá para cá, consecutivos choques como a eclosão da guerra na Europa em 2022 e os choques climáticos que vêm afetando preços de commodities em vários locais do mundo têm contribuído, cada um ao seu tempo, para tornar essa inflação resiliente.

Some-se a isto os consecutivos alongamentos do horizonte de convergência para a meta produzidos pelo BCB durante este período, o que certamente tem contribuído para a banalização da meta. Em suma, não há dominância fiscal no Brasil, há sim uma dominância reputacional de uma política monetária que tem sido ineficaz em cumprir seu principal mandato, o de produzir a convergência da inflação para a sua meta.

*Professor do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (IERI-UFU)

Na contramão de outros países, Brasil segue cauteloso sobre tarifaço de Trump

As tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem entrar em vigor a partir de 12 de março para todos os países, incluindo o Brasil, de acordo com as declarações emitidas pela Casa Branca.

O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, com um total de 4,08 milhões de toneladas exportadas somente em 2024, ficando atrás apenas do Canadá, que liderou com 5,95 milhões de toneladas.

O governo brasileiro mantém a postura de cautela, preferindo não se pronunciar. No início da noite de ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apenas lamentou a decisão e disse que medidas unilaterais, como essa, são “contraproducentes para a melhoria da economia global”. “A economia global perde com isso, com essa retração, com essa desglobalização que está acontecendo”, afirmou o ministro, após encontro com Lula, no Palácio do Planalto.

Sobre a possibilidade de negociar condições melhores para a relação comercial entre os países, Haddad reconheceu que ainda não sabe qual a disposição do governo dos EUA para negociações. A respeito das demandas do setor de aço e alumínio, o ministro ressaltou que se reúne com frequência com representantes do segmento e avalia que deve ter um novo encontro com essas lideranças após a volta de uma viagem que fará ao Oriente Médio, entre os próximos dias 14 e 20 de fevereiro.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não comentou.

A postura brasileira contrasta com a de outros países afetados. A União Europeia e o Canadá prometeram impor respostas duras ao “tarifaço” de Trump.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,disse que o bloco vai agir para proteger seus interesses econômicos. “Tarifas são impostos — ruins para os negócios, piores para os consumidores”, afirmou. “Tarifas injustificadas sobre a UE não ficarão sem resposta — elas desencadearão contramedidas firmes e proporcionais”, completou.

Já o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reforçou que as tarifas são inaceitáveis e que o governo canadense dará uma resposta firme e clara. As declarações foram feitas durante a Cúpula de Ação de Inteligência Artificial, realizada em Paris, e que conta com a presença de diversos chefes de Estado. Outros países, como México, França e Alemanha, também se posicionaram contra a medida.

Em posicionamento oficial, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou “enorme preocupação” diante das tarifas anunciadas anteontem. A entidade ressaltou que as exportações industriais são essenciais para o crescimento econômico e fortalecimento da competitividade do Brasil, além de destacar que a barreira a esses produtos nos Estados Unidos causa apreensão ao setor.

“Essa medida é prejudicial tanto para a indústria brasileira quanto para a norte-americana. Lamentamos a decisão e vamos atuar em busca do diálogo para mostrar que há caminhos para que seja revertida”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban. Ontem, o Instituto Aço Brasil se posicionou sobre a medida, em nota, comunicando que recebeu “com surpresa” o decreto assinado por Trump. Para a entidade, a mudança viola o acordo firmado em 2018, quando Trump colocou uma taxa de 25% sobre todas as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio, excluindo os vizinhos Canadá e México, dois dos principais fornecedores desses produtos. À época, o governo norte-americano permitiu que outros países solicitassem a inclusão em uma lista de exceção. O governo do então presidente Michel Temer fez o pedido e foi aprovado.

Para a entidade, o acordo atendeu, na época, não só aos interesses do Brasil em preservar acesso ao seu principal mercado externo de aço, mas também aos interesses da indústria de aço norte-americana, demandante de placas brasileiras. Segundo o instituto, as exportações brasileiras não ultrapassaram “em momento algum”, os volumes estabelecidos tanto para semiacabados quanto para produtos laminados.

No comunicado, a Aço Brasil ressaltou, ainda, que o mercado brasileiro sofre atualmente com uma “concorrência predatória”, especialmente por parte da China, que intensificou as exportações dos produtos nos últimos anos. O instituto fez um pedido ao governo brasileiro para que implementasse uma medida de defesa comercial.

CNI: Possíveis impactos das tarifas de Trump causam enorme preocupação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou “enorme preocupação” em seu posicionamento oficial sobre as tarifas contra aço e alumínio anunciadas ontem pelo governo de Donald Trump. Após observar que as exportações industriais são essenciais ao crescimento econômico e ao fortalecimento da competitividade do Brasil, a entidade disse também que a barreira a esses produtos nos Estados Unidos causa apreensão ao setor.

“A medida atinge diretamente a indústria brasileira e os possíveis impactos dela decorrentes causam enorme preocupação ao País”, comenta a CNI no texto em que lamenta a decisão de Trump de taxar o aço e o alumínio com alíquotas de 25%. A medida atinge o Brasil, um dos maiores fornecedores de produtos siderúrgicos ao mercado americano.

Opondo-se à retaliação, reposta que aumentaria o custo das importações no Brasil de insumos fornecidos pelos EUA, a CNI diz que vai trabalhar, junto com o governo brasileiro, a favor de diálogo e alternativas para reverter a primeira ação de Trump que atinge produtos da indústria de transformação brasileira. Os Estados Unidos são o principal destino de exportação do setor, especialmente nos produtos com maior intensidade tecnológica. “Essa medida é prejudicial tanto para a indústria brasileira quanto para a norte-americana. Lamentamos a decisão e vamos atuar em busca do diálogo para mostrar que há caminhos para que seja revertida”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A exemplo da posição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a CNI frisou que o Brasil não representa uma ameaça comercial aos Estados Unidos, citando a balança comercial superavitária do lado americano desde 2008. Além disso, a entidade lembra que as exportações brasileiras, em especial no caso do aço, são complementares, e não concorrentes, à cadeia produtiva americana.

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Assim, emenda, uma consequência direta da medida será o aumento de custos para a indústria dos EUA, já que a substituição das importações por produção local será inviável no curto prazo.

A CNI também repete em seu posicionamento a preocupação manifestada pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal) em relação aos efeitos indiretos das barreiras que estão sendo levantadas por Trump. Isso porque produtos de outras origens que perderem acesso ao mercado americano poderão ser desovados a preços considerados desleais em novos destinos – entre eles, o Brasil.

“O caminho do diálogo, portanto, é preferencial a medidas de retaliação que podem prejudicar outros setores produtivos cuja importação de produtos norte-americanos seja importante para a produção brasileira”, conclui Alban.

Cheque em desuso? Especialistas explicam quando (ainda) vale a pena usar o pré-datado

Em queda de 96% desde 1995, o uso de cheques no Brasil sobrevive principalmente para pagamentos de valores acima de R$ 3 mil, de acordo com um levantamento do ano passado feito pela Federação Nacional dos Bancos (Febraban), divulgado no final de janeiro. A diminuição do uso da ordem de pagamento, contudo, não significa seu fim. Para certos propósitos, o cheque ainda tem espaço.

O valor do tíquete médio de compensação de cheques subiu de R$ 3.617,60 de 2023 para R$ 3.800,87 no ano passado. Para o economista Amílcar Martins, sócio-diretor da Maza Asset Management, os cheques ainda são usados no Brasil para, principalmente, pagar caução de aluguel e por pessoas que veem nesse meio de pagamento uma transação mais confiável.

“Algumas pessoas, normalmente pessoas com faixa etária mais elevada, ainda cultivam o hábito de pagar com cheques seja por comodidade ou por ver neste meio de pagamento uma maior confiança”.

Em meio a alternativas já consolidadas de pagamentos — como cartão, boleto, TED e o PIX —, ainda vale a pena pagar com cheques? A resposta, de acordo com a economista Fernanda Prado, é “depende”.

A especialista em finanças pessoais explica que os cheques podem ser utilizados para evitar a descapitalização do cliente, no caso de uma caução, ou de angariar descontos.

“Utilizar o cheque como caução faz sentido porque a inquilino não precisaria se descapitalizar — gastar o dinheiro no ato da assinatura de contrato. Ele (o inquilino) dá o cheque, que ficaria com o proprietário do imóvel e não seria compensado”, contou Fernanda.

Ao evitar a descapitalização — ainda no caso da caução —, a pessoa continuará com o dinheiro na conta, “Salvo em situações que houvesse necessidade de o proprietário utilizar o valor da caução — como quando o inquilino não paga o aluguel ou causa danos ao imóvel”, explicou Fernanda.

Fernanda Prado, porém, alerta para o fato de o cheque não ser aceito por imobiliárias como pagamento de caução. “Como já existem novas tecnologias que superam o cheque nos quesitos praticidade e segurança, esse meio de pagamento nem sempre é aceito por imobiliárias, que condicionam a caução a outras formas de seguro”, disse.

Na relação entre proprietário e inquilino, o primeiro agente pode deixar de ganhar dinheiro ao aceitar recebimento de cheque como pagamento do caução. De acordo com Fernanda, essa perda é explicada pela relação custo de oportunidade.

“Enquanto o cliente evita se descapitalizar na caução em cheque e, dessa forma, garante ter um saldo para usar o dinheiro para um investimento, o proprietário que aluga o imóvel pode sair perdendo por deixar de receber a quantia em dinheiro e ficar no risco de receber um documento sem fundo”, afirmou.

Se o uso de cheques pode ser positivo ao inquilino e arriscado ao proprietário, há uma solução capaz de levar benefícios a ambas as partes. Segundo Fernanda Prado, proprietários e inquilinos “saem ganhando” se a caução for paga em dinheiro e a garantia ser alocada em um fundo que corrija o valor pela inflação.

“Colocando o dinheiro da caução em um fundo capaz de ajustar a quantia pela inflação, os donos de imóveis garantem o valor da caução na conta e inquilinos teriam seus valores em dinheiro corrigidos”, disse.

Dólar sobe e fecha perto de R$ 5,80 com payroll, Trump e ruído fiscal

O dólar ganhou força ao longo da tarde desta sexta, 7, no mercado doméstico e encerrou a sessão desta sexta-feira, 7, em alta moderada, perto do nível técnico de R$ 5,80. Além da onda de aversão ao risco provocada pela notícia de que o presidente Donald Trump pretende anunciar tarifas recíprocas para parceiros comerciais dos EUA, pesou contra a moeda brasileira, na reta final dos negócios, declaração do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, sobre um possível reajuste do Bolsa Família.

O novo episódio da novela das tarifas levou a uma rodada global de fortalecimento da moeda americana que acabou contaminando as divisas emergentes. Pela manhã, o real e seus pares latino-americanos avançavam a despeito de números fortes do mercado de trabalho e de piora das expectativas de inflação nos EUA. Temores de que a política protecionista de Trump resulte em pressões inflacionárias levam a uma redução das apostas em corte de juros pelo Federal Reserve neste ano.

Com a alta de commodities como petróleo e minério de ferro, o dólar tocou mínima a R$ 5,7354 na primeira etapa de negócios. No início da tarde, o real passou a se depreciar, mas apresentava ainda desempenho superior a de seus pares. O caldo entornou na última hora da sessão, quando o dólar superou R$ 5,80 e registrou máxima a R$ 5,8086, levando o real a amargar perdas mais fortes que as do peso mexicano.

Em entrevista à Deutsche Welle, o ministro Wellington Dias disse que pode haver reajuste do Bolsa Família até março, em resposta a alta dos preços dos alimentos. “Vamos tomar uma decisão dialogando com o presidente, porque isso repercute. Será um ajuste? Será um complemento na alimentação?”, pergunta Dias, para, então, admitir que mexer no valor do repasse “está na mesa”.

Fontes da equipe econômica afirmaram ao Broadcast que a declaração de Dias é apenas um ruído e que, além de não haver espaço orçamentário para um aumento no valor do benefício, a medida pioraria o quadro inflacionário.

No fim do pregão, o dólar era negociado a R$ 5,7936, em alta de 0,52%. Apesar do avanço de hoje, a moeda termina a semana com queda de 0,74%, após recuo de 5,56% em janeiro. A divisa acumula desvalorização de 6,26% no ano.

O economista-chefe da Integral Group, Daniel Miraglia, observa que, dado o tombo do dólar nas últimas semanas, havia espaço para uma realização de lucros no mercado local, que parece ter sido desencadeada hoje pela piora do humor no exterior com nova ameaça de imposição de tarifas por Trump.

Miraglia, porém, vê o movimento de apreciação do real em 2025 mais ligado a questões domésticas do que ao quadro externo, destacando que o índice DXY tem apenas uma leve queda no período. Para o economista, o comportamento da moeda brasileira reflete a perspectiva de “cenários alternativos” que se abrem com a queda da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O cenário base é o governo continuar a fazer o mesmo, negando problemas na questão fiscal. Mas cresceram alguns cenários alternativos, como Lula adotar uma postura mais amigável ao mercado, como fez em entrevista coletiva recente, em que defendeu a autonomia do Banco Central”, diz Miraglia, citando também a possibilidade de que surjam dúvidas sobre a saúde de Lula que alimentem a perspectiva de o petista não tentar a reeleição. “Se esses cenários alternativos crescerem, o dólar pode cair ainda mais.”

No exterior, o dia foi dominado por indicadores da economia americana e as ameaças trumpistas. No início da tarde, a Reuters informou que Trump disse a parlamentares republicados que teria planos de anunciar tarifas recíprocas possivelmente nesta sexta-feira. Em seguida, o presidente dos EUA disse que pretende impor tais tarifas na próxima semana, sem detalhar quais países poderão ser afetados.

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Do lado dos indicadores, o relatório de emprego (payroll) revelou geração de 143 mil vagas nos EUA em janeiro, abaixo da mediana de Projeções Broadcast (170 mil), mas houve revisão para cima dos números de dezembro (256 mil para 307 mil) e novembro (de 212 mil para 261 mil). Além disso, a taxa de dezembro caiu de 4,1% para 4%, e o salário médio por hora subiu 0,48%, acima das expectativas.

Pesquisa da Universidade de Michigan trouxe queda do sentimento do consumidor na passagem de janeiro para fevereiro, mas aumento das projeções de inflação em 12 meses (de 3,3% para 4,3%) e para um horizonte de cinco anos (de 3,2% para 3,3%).

“Trump vai suar muito a questão das tarifas para negociar, mas vai fazer menos na prática do que o mercado espera. Ele deve, sim, adotar um programa muito forte de corte de gastos”, afirma Miraglia, da Integral, que espera retomada do processo de corte de juros pelo Fed a partir de meados do ano.

Após 4 anos positivos, faturamento com exportação do agro brasileiro recua e cenário é de incerteza; entenda

Depois de quatros anos consecutivos de altas, o faturamento das exportações do agronegócio brasileiro em dólar caiu 1,3% no ano passado quando comparado a 2023. As exportações brasileiras de produtos do agronegócio somaram US$ 164,4 bilhões em 2024, segundo dados compilados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex).

As expectativas para este ano ainda são incertas e, entre os motivos, conforme o Cepea, estão a imposição de tarifas. “O preço dos produtos nos mercados consumidores podem ser afetados, bem como o reordenamento das parcerias comerciais entre os países”, analisa.

No caso da queda no faturamento em dólar, pesquisadores do Cepea indicam que esteve atrelada à redução de 3% no volume escoado em 2024, tendo em vista que o preço médio anual em dólar avançou 1,7%. Entenda cenário, abaixo, na reportagem.

Milho e soja puxam queda

Segundo relatório do Cepea, o recuo na quantidade total exportada pelo agronegócio brasileiro foi puxado, principalmente, pela baixa de 28,8% nos embarques dos produtos do:

🌾complexo soja (grão, farelo e óleo)

🌽milho

Por outro lado, foram verificados aumentos nos volumes escoados de:

🪶algodão em pluma (+71%)

☕café (+30%)

◽açúcar (+22%)

🥩carne bovina (+26%)

Pesquisadores do Cepea ressaltam, contudo, que, como a moeda nacional apresentou forte desvalorização de 6% frente ao dólar em 2024 – já descontada a inflação brasileira –, o faturamento em Reais cresceu 4,6%.

Expectativa para 2025

Ainda segundo o relatório do Cepea, a oferta brasileira da safra 2024/25 de soja, milho e algodão deve crescer. “O pode garantir maior disponibilidade para o consumo doméstico e para exportação”, aponta.

Em relação aos preços em dólar, o Centro estima que os valores dependerão da oferta mundial, que conta com suprimento de importantes produtores além do Brasil, como Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.

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China deve influenciar nos preços da carne

No caso da carne bovina, em 2025, ainda deve prevalecer alguma restrição na oferta de animais por conta do ciclo pecuário, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

“A demanda chinesa deve influenciar os preços da carne, já que o país asiático adquire mais da metade do volume de vendas externas do Brasil”, destaca o Cepea no documento.

“A demanda chinesa deve influenciar os preços da carne, já que o país asiático adquire mais da metade do volume de vendas externas do Brasil”, destaca o Cepea no documento.

O dólar deve permanecer mais elevado neste ano, acima de R$ 5,50, favorecendo o desempenho do setor agroexportador.

“No entanto, as incertezas devem aumentar, em decorrência da imposição de tarifas, o que pode afetar o preço dos produtos nos mercados consumidores e também provocar um reordenamento das parcerias comerciais entre os países”, conclui.

“No entanto, as incertezas devem aumentar, em decorrência da imposição de tarifas, o que pode afetar o preço dos produtos nos mercados consumidores e também provocar um reordenamento das parcerias comerciais entre os países”, conclui.

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