Boletim Focus: Economistas projetam inflação acima do teto da meta em 2024

Os economistas do mercado financeiro revisaram suas expectativas de inflação e crescimento o crescimento da economia brasileira em 2024. De acordo com o dado mais recente do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (28/10), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ultrapassar o teto da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% no próximo ano.

A projeção atual dos especialistas indica uma inflação de 4,55%, marcando a quarta semana consecutiva de alta nas estimativas para 2024. Esse índice representa uma preocupação para a estabilidade econômica, uma vez que, se confirmado, será o primeiro estouro da meta desde 2022, quando o IPCA fechou em 5,79%.

Esse cenário de pressão inflacionária gera apreensão, especialmente em um contexto de políticas de juros altos que, segundo os economistas, devem continuar ao longo de 2024.

A taxa Selic, que foi ajustada em setembro para o atual patamar de 10,75% ao ano, deve chegar a 11,75% até o fim do ano, de acordo com as projeções. Para 2025, no entanto, o mercado espera uma leve redução da taxa, com projeção para 11,25%.

Apesar da preocupação com a inflação e o aumento dos juros, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2024 apresentam uma leve elevação, subindo de 3,05% para 3,08%. Esse aumento, embora modesto, reflete um otimismo do mercado em relação ao potencial de crescimento econômico do país.

Já para 2025, as previsões se mantiveram estáveis, com uma alta de 1,93%, o que aponta para uma expectativa de desaceleração no ritmo de crescimento no médio prazo.

O PIB, que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é um indicador chave para avaliar a saúde econômica do Brasil. A leve melhora na previsão pode estar associada a setores como agronegócio e indústria, que seguem puxando o crescimento, apesar das incertezas no cenário global e das políticas monetárias restritivas que impactam o crédito e o consumo.

Outro ponto que preocupa o mercado é a volatilidade do câmbio. Para o final de 2024, a previsão do dólar subiu de R$ 5,42 para R$ 5,45. Essa variação reflete tanto o ambiente interno quanto as tensões no cenário internacional, onde a política monetária dos Estados Unidos e as tensões geopolíticas influenciam diretamente o comportamento das moedas emergentes. Para 2025, a expectativa permanece estável em R$ 5,40.

As projeções de inflação acima do teto da meta para 2024 e a manutenção de uma política de juros altos representam desafios adicionais para o país. Uma inflação mais alta pode impactar diretamente o poder de compra da população, além de comprometer o crescimento sustentável no longo prazo. Por outro lado, o esforço para controlar a inflação, mantendo os juros elevados, pode limitar o acesso ao crédito e conter investimentos em setores-chave da economia.

Enquanto o Banco Central e o governo brasileiro monitoram o cenário, especialistas alertam que a combinação de inflação e juros altos pode manter o país em um ambiente de crescimento econômico moderado, ainda que com algumas oportunidades pontuais de expansão. A estabilidade do câmbio, por sua vez, permanece uma incógnita e dependerá da evolução das políticas econômicas tanto internas quanto externas.

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“A Ordem perdeu o seu protagonismo”, diz candidato à presidência da OAB-DF

O advogado Cleber Lopes, líder da chapa A Ordem com Voz, que disputa a presidência da OAB-DF, foi o convidado do CB.Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília — desta quinta-feira (24/10). Aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, ele falou sobre seu projeto de diminuição da taxa de anuidade para os advogados do DF e sobre os pontos de melhora que considera urgentes na OAB-DF .

Por que o senhor quer ser presidente da OAB-DF?

É uma alegria imensa voltar a este programa. Depois de 25 anos de exercício profissional, mais de 20 anos foram dedicados à nossa entidade. Fui membro da comissão de seleção, conselheiro, diretor, membro do tribunal de ética, presidente da comissão de prerrogativas. Servir à OAB, servir à advocacia faz parte da minha história.

Faço parte de um grupo que dirigiu a ordem no passado, com pessoas que prestaram relevantes serviços à nossa entidade. Nosso sentimento hoje é de uma advocacia abandonada, de uma entidade que perdeu o seu protagonismo. É chegada a hora de tomarmos uma posição e colocar nosso nome à disposição para continuar servindo à nossa instituição, fazendo mais pela advocacia, para que a Ordem volte a ser respeitada institucionalmente. Esse não é um projeto pessoal. É um projeto de um grupo que se dedicou a servir à advocacia e que hoje assiste indignado ao abandono da nossa categoria. Isso nos levou a voltar a disputar a eleição da OAB/DF.

Onde a OAB-DF está falhando, na sua avaliação?

Existem 55 mil advogados em atividade no Distrito Federal. Tenho andado por Brasília desde fevereiro, conversando com advogados e advogadas nas subseções e em todo o Distrito Federal. O que se percebe e escuta da advocacia é exatamente isso: os programas criados para atender à jovem advocacia têm um alcance irrisório. A atual gestão faz disso uma plataforma, um discurso, mas na prática é diferente.

O que o senhor acredita que pode ser feito em relação aos programas?

A advocacia dativa, por exemplo, que a atual gestão tanto enaltece, é um fracasso. Não conseguem credenciar os advogados para atuar e não conseguem executar o orçamento. O governo faz sua parte, disponibiliza mais de um milhão por ano, mas os advogados se cadastram e não são convocados. Falta disposição, falta diálogo da nossa instituição. O presidente da OAB deveria dialogar com o tribunal, sensibilizá-los para a importância do programa.

Outro exemplo é o programa Residência Jurídica, que, embora a ideia não seja ruim, foi executado de forma acanhada. O estudante paga para fazer uma prova, é colocado em um escritório de advocacia credenciado, mas fica lá por 60 dias sem ganhar nada, criando uma falsa ilusão de que está sendo auxiliado pela Ordem. O programa não alcança muitos advogados jovens e não cumpre sua finalidade.

Para resolver isso, estou inclinado a reestruturar a Fundação de Assistência Judiciária (FAG) e trazer a advocacia dativa para ser conduzida no âmbito dessa fundação. O presidente da OAB precisa dialogar com as instituições, com o governo. O que eles chamam de independência é, na verdade, um isolamento institucional. A Ordem se isolou. Quero dialogar com o setor produtivo, com o Governo do Distrito Federal, para aumentar o orçamento da advocacia dativa e garantir sua eficácia orçamentária.

Tenho uma boa relação com o Poder Judiciário, construída ao longo de 25 anos de atuação. A Defensoria Pública absorve parte significativa da demanda, mas não consegue atender tudo. Precisamos dialogar com a Defensoria também, para evitar disputas de espaço. Tenho disposição para aumentar o orçamento e garantir a eficácia dos programas.

A residência jurídica precisa ser transformada numa escola de advocacia via FAG. Sempre foi um grande laboratório para jovens advogados. Temos gerações de advogados que passaram pela FAG. Precisamos criar uma escola de advocacia, utilizando a FAG ou outros convênios para ensinar o jovem advogado a atuar de verdade.

Como a relação com o governador Ibaneis Rocha, que apoia a sua chapa, contribui para a independência da OAB e para essa interlocução institucional?

Sobre o relacionamento da OAB com o Governo do Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha, que foi presidente da OAB, já declarou apoio à minha candidatura. Isso é visto por alguns como uma falta de independência, mas tanto eu quanto o governador somos independentes. A boa relação entre a OAB e o governo favorece a advocacia. Quem ganha é a categoria. Estarei em posições importantes, mantendo minha independência.

O senhor tem alguma distância da atual gestão?

O problema é que as pessoas criticam muito e pouca gente tem disposição para efetivamente se dedicar à gestão da OAB. As pessoas falam, mas historicamente pouco se dispõe a gastar o seu tempo, a se dedicar a isso, a renunciar, às vezes, ao convívio da família.

É muito mais fácil destruir do que construir. Eu me dedico à OAB há mais de 20 anos. Temos um grupo histórico e esse grupo, inclusive, tem sido renovado.

A minha candidatura é a melhor por conta da minha trajetória profissional. A minha vida é absolutamente auditável. Fui conselheiro da Ordem, desembargador eleitoral por três anos, sem nenhuma mácula na minha conduta. Advogo há 25 anos de maneira ininterrupta, atuo desde a delegacia até o Supremo Tribunal Federal. Eu não sou um advogado de tribunal superior, sou um advogado completo. Nenhum dos outros candidatos tem essa atuação.

Como o senhor vai compatibilizar a sua atuação em casos tão contundentes e as responsabilidades de presidente da OAB-DF?

Claro que, ao assumir a presidência da OAB, terei que reduzir minha atuação profissional direta, mas tenho uma equipe qualificada no escritório que dará continuidade ao trabalho. Vou continuar fazendo sustentação oral e despachando processos, mas me dedicarei à presidência para que não haja esse isolamento institucional.

Quero deixar claro que não comecei a advocacia no Lago Sul. Comecei no Gama, enfrentando muitas dificuldades. Fui um jovem advogado casado, com filha logo no primeiro ano, e me desdobrava para levar o pão de cada dia para casa. Deus me deu a providência de prosperar na advocacia, mas sempre trabalhei muito e enfrentei muitas dificuldades. Conheço a dor de quem está na ponta da advocacia, conheço a dificuldade do colega que está lá. Tenho me reencontrado com a minha história ao ouvir depoimentos iguais às experiências que vivi no passado.

Como é o projeto da diminuição da taxa de anuidade dos advogados?

Esse é um tema muito importante, pois toca diretamente a realidade da advocacia no Distrito Federal. Enfrentamos dificuldades para sobreviver. Por incrível que pareça, a nossa anuidade é uma das mais baratas do país, mas, mesmo assim, os advogados iniciantes têm dificuldade para pagá-la.

Na gestão atual, existe um programa de incentivo que vai até cinco anos de inscrição. Ou seja, advogados com até cinco anos têm uma gradação de incentivo: começa com um valor menor e vai subindo até atingir o valor total. O que eu estou fazendo? Estou aumentando o benefício para esses advogados, oferecendo um desconto de mais 25% sobre o valor já praticado. Por exemplo, o advogado que paga R$ 200 terá um desconto adicional de 25%. Estou estendendo esse benefício para advogados com seis a 10 anos de inscrição. Isso porque percebi, ao andar por Brasília, que esses advogados também enfrentam dificuldades.

Por que estou oferecendo um desconto de 25%? Não é nada eleitoreiro; estou agindo com responsabilidade. A partir do estudo que realizamos sobre as contas da OAB-DF, temos condições de enxugar o orçamento e otimizar. Quero, no primeiro mês de gestão, criar uma diretoria de compliance e governança. É um absurdo que a Ordem não tenha uma governança estruturada. Minha ideia é deixar a OAB com uma gestão racionalizada e profissionalizada, garantindo que os presidentes passem, mas que a gestão continue com o mesmo padrão de transparência e governança, de modo que o dinheiro da OAB seja potencializado e investido no que realmente interessa para os advogados.

O senhor gostaria de falar das despesas da OAB-DF?

No debate, não pude apresentar documentos, e não quero fazer isso aqui de maneira ostensiva. Contudo, ao acompanhar a gestão mais de perto, devido à candidatura de oposição, busquei conhecer os detalhes para formular propostas e críticas responsáveis.

Fomos olhar o portal da transparência, que era uma proposta deles na eleição passada, prometendo manter um portal atualizado com informações em tempo real. Descobrimos que o portal estava desatualizado desde 2022. Tenho aqui um print da tela do portal. Fiz um requerimento no dia 6 de setembro pedindo a atualização dos dados. Eles atualizaram e verificamos algumas informações impressionantes. Por exemplo, uma rubrica apresentou um aumento de 108%. Não faz sentido, considerando a inflação atual, aumentar em 108% uma despesa da Ordem dos Advogados do Brasil em apenas dois anos.

A transparência, para mim, é um tema de conteúdo moral. Independentemente do que diga a norma, a transparência tem uma conotação ética. A Ordem tem a obrigação moral de gastar o dinheiro dos advogados de forma transparente. Já declarei isso em outros ambientes e vou repetir: não estou acusando ninguém de desvio de dinheiro da OAB ou de corrupção. Estou apenas mostrando que a gestão não prima pela transparência e tenho provas documentais. O portal ficou desatualizado por dois anos, o que é um absurdo. Portanto, precisamos garantir a transparência e reduzir despesas, pois quero investir o dinheiro da advocacia em temas importantes, como a prerrogativa.

No primeiro ato da gestão, vamos criar um observatório de prerrogativa. Pretendo usar o dinheiro da OAB para contratar pessoas e investir nisso. Esse é o ponto mais sensível da nossa atividade profissional.

O senhor acredita que contará com o apoio dos cinco candidatos à presidência da OAB-DF na sua gestão?

Não tenho nada contra os candidatos. Acredito que todos têm reputação e, inclusive, pretendo pacificar a OAB. Sou um pacifista inveterado; gosto de recompor, fazer amizades e manter relacionamentos.

Não terei dificuldade em trabalhar com os candidatos que perderem a eleição; terei o maior prazer em contar com eles. Quanto a esta gestão, especificamente, sou professor da Escola Superior de Advocacia (ESA) desde 2004, mas há seis anos não dou aulas lá. Não pretendo fazer isso e não o farei. Quem estiver na ESA, prestando um bom trabalho, continuará dando aulas, independentemente de estar ligado a este ou àquele grupo político.

Quero criar um observatório de prerrogativa e investir dinheiro nisso. O que eu puder economizar no orçamento será usado para contratar uma equipe que cuidará das prerrogativas. Esse observatório terá a função de monitorar, em Brasília, onde, quando e por que algum advogado ou advogada teve sua prerrogativa violada. Eu, como presidente, tratarei disso pessoalmente. Outro ponto muito discutido, não apenas no âmbito da advocacia, mas também no Judiciário, é a paridade de gênero.

Como o senhor pretende se posicionar com relação à paridade de gênero dentro da OAB-DF?

No Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já regulamentou isso: a promoção dos juízes para o cargo de desembargador ocorrerá mediante paridade de gênero. Na OAB, já temos um normativo que exige a observância da paridade de gênero, portanto, metade da nossa chapa é formada por mulheres.

Fiz questão, como gesto de respeito e prestígio às mulheres, de que os dois principais cargos da diretoria, após a presidência, sejam ocupados por mulheres. Minha vice-presidente é a Gisele e a minha secretária-geral é a Renata Cisne. Ambas são protagonistas: uma na área do direito de família e a outra no direito criminal. Isso demonstra claramente nosso pensamento sobre esse tema.

Qual será o papel da vice na sua gestão?

Não tenho apego ao poder pelo poder, como já disse em várias ocasiões. Quero fazer uma gestão compartilhada com minha vice, dando espaço para que ela trabalhe e exerça essa representatividade feminina. Ela tem uma dupla representatividade: da advocacia feminina e da advocacia negra. Quero dar efetividade a essa representatividade, permitindo que ela promova eventos e iniciativas voltadas para a advocacia feminina e a advocacia negra, notadamente. Temos uma dívida histórica com a advocacia negra no país e com os negros de um modo geral. Quero pagar a parte que me cabe.

Desejo fazer da OAB um exemplo de representatividade da advocacia negra, uma entidade comprometida com essa causa. Vamos envidar todos os esforços para que a OAB participe desse debate e ajude na formulação de políticas públicas voltadas a esse tema.

*Estagiário sob a supervisão de Eduardo Pinho

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Vagas de emprego em Marechal Deodoro, Arapiraca e Porto Calvo

A Secretaria do Estado de Trabalho, Emprego e Qualificação (Seteq) divulgou as vagas de emprego abertas nesta semana em Maceió, Arapiraca, Marechal Deodoro e Porto Calvo.

Em Maceió estão abertas 200 vagas para atendente de call center bancário e outras 200 vagas para telemarketing com contratação imediata. No litoral norte ainda tem oportunidade de 20 vagas para hotelaria e para quem busca oportunidade na construção civil.

Como se inscrever

Para cadastrar o currículo, é obrigatório agendar o atendimento em um dos postos do Sine Alagoas nas Centrais Já pelo https://ja.al.gov.br/.

O Sine Alagoas oferece cadastro de currículo e consultas de vagas de emprego; captação de vagas e atendimento ao empresário; habilitação ou restituição do Seguro-Desemprego e orientação para emissão da Carteira de Trabalho Digital. Para mais informações pelo WhastApp (82) 98884-8974 ou pelo e-mail vagas.sinealagoas@gmail.com e curriculos.sinealagoas@gmail.com.

Lista de vagas

Marechal Deodoro

Assistente Administrativo – 1 vaga

Porto Calvo

Borracheiro – 3 vagas

Cozinhador – 3

Eletricista De Auto – 3

Instrumentista – 3

Mecânico De Caminhão – 3

Sub Encarregado De Fabricação – 3

Auxiliar Administrativo – 1

Atendente De A&B – 5

Atendente De Apartamento – 5

Auxiliar De Cozinha – 5 vagas

Jardineiro – 5 vagas

Arapiraca

Carpinteiro – 60 vagas

Armador – 60

Servente – 60

Pedreiro – 20

Maceió

Açougueiro – 3 vagas

Adesivador – 2

Ajudante de Armazém – 4

Ajudante de Carga E Descarga – 13

Ajudante de Carpinteiro – 2

Ajudante de Padeiro – 1

Ajudante de Pizzaiolo – 2

Assistente Administrativo – 1

Auxiliar Administrativo – 2

Auxiliar de Controle De Qualidade – 2

Auxiliar de Escritório – 1

Auxiliar de Produção – 2 vaga

Auxiliar de Vendas – 1 vaga

Carpinteiro – 4

Confeiteiro – 1

Coordenação Pedagógica Infantil – 1

Coordenador de Sopro – 1

Eletricista Automotivo PL E SR – 2

Eletricista – 1

Faxineira – 20

Florista – 1

Fresador – 2

Impressor – 2

Líder de Cozinha – 1

Mandrilhador – 2

Manutenção Predial – 1

Mecânico – 1

Mecânico a Diesel – 1

Mecânico Automotivo PL e SR – 2

Motorista Cat – E Com MOPE – 4

Motorista Cat AD – 2

Motorista Cat B – 1

Motorista Cat D – 1

Motorista Cat E – 7

Operador de Caixa – 1

Operador de Call Center Bancário – 200

Operador de Telemarketing – 200

Operador de Limpeza De Estofados – 1

Operador de Máquina De Envase – 1

Padeiro – 1

Pasteleiro – 1

Recepcionista – 1

Repositor de Caixa – 1

Serralheiro – 2

Técnico Eletrotécnico – 1

Vendedor Externo – 5

Vendedor Externo De Serviços- 1

Vendedor Interno – 23

Vagas exclusivas para PcD – 227

Almoxarife – 2

Serviços Gerais – 6

Auxiliar administrativo – 19

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Encontro surpresa no campo de batalha levou à morte do líder do Hamas; saiba bastidores da operação

Era um patrulhamento de rotina para o grupo de soldados israelenses no sul da Faixa de Gaza. Então, um tiroteio começou e os israelenses, apoiados por drones, destruíram parte de um prédio onde vários militantes haviam se abrigado, disseram autoridades israelenses. Quando a poeira baixou e começaram a vasculhar o prédio, os soldados encontraram um corpo que tinha uma semelhança impressionante com alguém que eles não esperavam encontrar, um homem que o país vinha caçando desde 7 de outubro de 2023: Yahya Sinwar, o líder do Hamas.

Por mais de um ano, enquanto dezenas de milhares de gazenses eram mortos, Sinwar havia escapado da força total do establishment militar e de segurança de Israel, que dedicou todos os meios à sua disposição para encontrá-lo e matá-lo. Muitos acreditavam que ele estava se escondendo no subsolo em Gaza e havia se cercado de reféns capturados em Israel.

No fim, disseram as autoridades israelenses, ele foi morto acima do solo na quarta-feira, ao lado de dois outros militantes, sem sinais de reféns por perto. As autoridades israelenses disseram que confirmaram sua morte na quinta-feira, usando registros dentários e impressões digitais. Seu DNA também foi testado para confirmação, segundo uma autoridade israelense e a Casa Branca.

A morte de Sinwar foi o golpe mais severo na liderança do Hamas após mais de um ano de escalada da violência no Oriente Médio, e imediatamente mergulhou a guerra em Gaza em uma nova fase incerta. Ela ocorreu menos de três semanas depois que as forças israelenses mataram o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, em um ataque aéreo ao sul de Beirute, capital do Líbano.

Enquanto alguns esperavam que a morte de Sinwar pudesse sinalizar o fim da invasão israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu indicou que a ofensiva não pararia só porque o arquiteto do ataque mortal do ano anterior ao sul de Israel havia sido morto.

“Hoje, o mal sofreu um golpe pesado — a missão à nossa frente ainda está inacabada”, disse Netanyahu em um comunicado. Ele afirmou que Israel continuava determinado a libertar os reféns que ainda estavam em Gaza, chamando isso de “obrigação”.

Ele disse aos gazenses que quem “deixar suas armas de lado e devolver nossos reféns — permitiremos que saiam e vivam”. Mas ele alertou que quem prejudicasse os reféns israelenses pagaria com a vida.

Os líderes israelenses há muito tempo afirmam que não parariam sua ofensiva em Gaza até que tivessem esmagado o Hamas como uma força militar e política e libertado os reféns capturados em 7 de outubro. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas no ataque e 250 foram levadas para Gaza como reféns. Dos 101 reféns que permanecem em Gaza, acredita-se que pelo menos um terço esteja morto.

O ataque do Hamas remodelou o Oriente Médio, desencadeando uma devastadora contraofensiva israelense em Gaza que matou mais de 42.000 palestinos, transformou grande parte do território em ruínas e deixou centenas de milhares de gazenses enfrentando fome e privação.

O ataque de 7 de outubro também levou a combates entre Israel e outros grupos que, como o Hamas, são apoiados pelo governo iraniano, e entre Israel e o próprio Irã. Eles incluem o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen.

O Hezbollah começou a disparar barragens de foguetes do Líbano em direção a Israel um dia após o ataque de 7 de outubro, levando a um ano de fogo cruzado. No mês passado, as forças israelenses iniciaram uma pesada campanha de bombardeio e terrestre no Líbano, numa tentativa de parar os ataques e desmantelar o Hezbollah. Israel matou muitos de seus principais comandantes, além de Nasrallah. Milhares de pessoas no Líbano foram mortas no ataque em andamento, e cerca de um milhão foram deslocadas.

Em Gaza, os soldados que inesperadamente encontraram Sinwar na quarta-feira faziam parte de uma unidade em treinamento para se tornarem comandantes de esquadrão. Após o tiroteio que matou Sinwar e outros dois combatentes, os israelenses encontraram a área cheia de explosivos e se aproximaram dos corpos com cautela. Eles encontraram dinheiro e armas, segundo uma autoridade israelense.

Fotografias obtidas pelo The New York Times, algumas das quais mais tarde circularam online, mostram o corpo de um homem com traços faciais fortemente semelhantes aos de Sinwar. O corpo apresentava ferimentos graves, inclusive na cabeça e na perna.

Sinwar morreu depois que soldados e agentes de inteligência israelenses passaram meses tentando localizá-lo, encontrando pistas, mas nunca conseguindo prendê-lo, disse um porta-voz militar israelense, contra-almirante Daniel Hagari, a repórteres. O DNA de Sinwar havia sido encontrado em um ponto em um túnel a poucos metros de onde os corpos de seis reféns israelenses foram encontrados seis semanas atrás, disse Hagari. Israel coletou informações de DNA de Sinwar durante seu longo período de encarceramento em prisões israelenses.

A notícia de que Sinwar havia sido morto levou a comemorações em Israel, enquanto as pessoas se reuniam em telhados e ruas para comemorar, agitar bandeiras israelenses e os motoristas buzinavam.

Para algumas das famílias dos reféns, foi um momento de satisfação e apreensão. Muitos temiam que seus parentes agora pudessem estar em maior perigo.

Einav Zangauker, cujo filho, Matan Zangauker, foi sequestrado no Kibutz Nir Oz, fez um apelo direto a Netanyahu em um vídeo nas redes sociais: “Não enterre os reféns.”

“Você tem sua imagem de vitória”, disse ela. “Agora, faça um acordo.”

Orna e Ronen Neutra, pais de Omer Neutra, um refém que cresceu em Long Island, Nova York, e mais tarde se alistou no exército israelense, pediram que “toda a atenção” se voltasse para garantir a libertação dos cativos.

À medida que a notícia da morte de Sinwar se espalhou por Gaza, muitos ficaram atordoados. Em um café improvisado na beira de uma estrada em Khan Younis, onde Sinwar nasceu em 1962, as pessoas pararam para assistir às notícias na televisão.

Outra moradora da cidade ao sul, Rayan Raef Hamdan, de 20 anos, disse que esperaria até que o Hamas confirmasse a notícia e esperava que fosse falsa, como relatórios anteriores sobre sua morte.

“Desde o início da guerra, ouvimos muitos desses rumores”, disse ela, acrescentando: “Esperamos que Deus prolongue sua vida e o salve da morte.”

Outros gazenses acolheram a morte de Sinwar, culpando-o pela fome, desemprego e desabrigamento que o conflito causou.

“Ele nos humilhou, começou a guerra, nos dispersou e nos fez deslocados, sem água, comida ou dinheiro”, disse um jovem de 22 anos chamado Mohammed, que foi repetidamente deslocado e pediu que seu sobrenome não fosse usado por medo de represálias do Hamas.

“Ele é quem fez Israel fazer isso”, disse Mohammed, chamando a morte de Sinwar de “o melhor dia da minha vida.”

Rezeq el-Sabti, um pai de 44 anos que estava abrigado com sua família em uma tenda no centro de Gaza, disse que esperava que Netanyahu agora declarasse vitória.

“Netanyahu dirá ao seu povo que ‘matamos Sinwar, que nos fez guerra’”, disse el-Sabti, “e isso nos dá esperança de que a guerra terminará.”

Ainda assim, outros disseram que pouco mudaria com a morte de Sinwar. “Muitos o precederam”, disse Rehab Ibrahim Odeh, 64. “E ele não é melhor do que aqueles que morreram antes.”

A mídia estatal iraniana retratou a morte de Sinwar como “martírio” e o elogiou por morrer lutando contra Israel no campo de batalha em Gaza.

Autoridades americanas imediatamente aproveitaram a morte de Sinwar para tentar renovar as negociações paralisadas visando alcançar uma trégua em Gaza que libertaria os reféns e permitiria mais ajuda ao enclave.

O presidente Biden disse a repórteres em Berlim que havia parabenizado Netanyahu e enviaria o secretário de Estado, Antony J. Blinken, a Israel nos próximos quatro ou cinco dias. “Agora é hora de seguir em frente”, disse Biden, pedindo um cessar-fogo em Gaza.

“É hora de esta guerra acabar e trazer esses reféns para casa”, disse ele.

O gabinete de Netanyahu disse em um comunicado que ele havia falado com Biden e “concordaram que há uma oportunidade para avançar em um acordo para libertar os reféns e trabalharão juntos para alcançar esse objetivo.”

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Alta de juros: queremos pagar essa conta?

João Fukunaga*

O Brasil tem uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Um preço alto demais para o desenvolvimento do país e sem benefício para a população ou para a economia, já que a medida tem se mostrado ineficaz para diminuir a inflação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou, em sua última reunião, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, elevando a taxa básica de juros da economia para 10,75%. É a segunda maior do mundo, perdendo apenas para a Rússia. Mas queremos mesmo pagar essa conta?

Na ata que justifica o aumento da taxa, o Copom enfatiza que a medida e a magnitude total do ciclo têm o objetivo de conter a inflação. Mas será que a medida funciona ou só prejudica o crescimento econômico do país? Para alguns especialistas, a teoria de que a taxa de juros precisa ser alta para combater a inflação está ultrapassada. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, declarou em uma entrevista que a “política de aumentar as taxas de juros reflete um diagnóstico errado da fonte da inflação, a resposta errada que vai ter um efeito significativamente adverso para a economia”.

O professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), escreveu, em 2023, um artigo sobre como é errada a ideia de que aumentar a taxa de juros freia a inflação: “Após a crise financeira de 2008, ficou claro que essa teoria não funcionava, e a grande maioria dos países a abandonou. Hoje no mundo há diversos países que enfrentam altíssimas taxas de inflação, no entanto são raros os que usam uma taxa de juros equivalente à do Brasil”.

O princípio utilizado pelo Copom, que define a Selic, é relativamente simples. Se a taxa está alta, os empréstimos diminuem, o consumo é freado e a inflação também. Mas não é o que estamos vivendo. Mesmo com uma das maiores taxas de juros real do mundo, a inflação no Brasil continua alta. Isso até poderia ser visto como positivo para um fundo de pensão como a Previ. Se, no passado, títulos como NTN-B pagavam cerca de 3%, agora rendem taxas parecidas com o atuarial, chegando a 6% além da inflação. Ou seja, a remuneração dos títulos é igual, e até supera, o retorno mínimo necessário para o cumprimento das obrigações previdenciárias.

O cenário de alta na taxa de juros permite aos fundos de pensões intensificar o trabalho de imunização de seu passivo para proporcionar mais segurança para os investimentos, principalmente em planos de benefícios maduros com a maior parte dos associados recebendo aposentadoria ou pensão.

Mas para seguir esse caminho, há um preço alto a ser pago. Os fundos de pensões investem prioritariamente no mercado brasileiro. De todos os ativos, um pequeno percentual está no exterior. Ainda mais importante: o propósito da Previ também está aqui, no Brasil. A razão da nossa existência é pagar benefícios para 200 mil associados — no ano passado, foram pagos mais de R$ 16 bilhões em benefícios. Queremos cuidar do futuro dessas pessoas. Como fazer esse trabalho investindo em dívidas do governo, em vez de escolher pelo desenvolvimento do país?

As consequências do aumento da taxa são pesadas para o Brasil. Quando a Selic sobe, os juros pagos pelo governo sobre sua própria dívida também aumentam. Com juros mais altos, o custo de rolar a dívida fica mais caro, pressionando o orçamento público. O desembolso do Estado para o pagamento dos juros é de R$ 28 bilhões por ano.

Esse dispêndio aumenta o deficit fiscal. Investimentos que poderiam ser feitos em áreas como saúde, educação e infraestrutura acabam sendo destinados ao pagamento de juros. Com mais recursos sendo direcionados para o pagamento de juros, há menos espaço para aumentar gastos ou reduzir impostos, o que pode ser necessário em momentos de desaceleração econômica.

A taxa de juros alta tira o apelo de desempenho de qualquer tipo de investimento com um certo grau de risco. Uma empresa que queira investir nela mesma, prefere comprar títulos que pagam taxas maiores. Empreendedores desistem de começar. O mesmo acontece com as ações na bolsa, que deixam de ser compradas pelos investidores, o que pode fazê-las diminuir de preço e afetar o valor das principais empresas do país.

Além disso, com o aumento da taxa os empréstimos ficam inviáveis para qualquer empresa aumentar a sua produção. Em grandes conglomerados, o financiamento que antes era buscado no próprio Brasil passa a ser procurado no exterior. Ou seja: com o aumento da taxa Selic o desemprego tende a aumentar.

Uma conjuntura de diminuição da taxa de juros beneficia não apenas a Previ, mas a sociedade como um todo.Temos ativos em diversos segmentos e sabemos da nossa capacidade de rentabilizar esses investimentos tanto em tempos de bonança quanto de tempestade. Mas preferimos a bonança. Afinal, sabemos que se a economia cresce, quem investe no país cresce junto. E é isso o que a gente quer.

Presidente da Previ*

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Análise: Diante da encruzilhada do passado

O que ainda existe em comum entre Getúlio Vargas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Uma visão na qual a centralidade da política está na ação do Estado e não na sociedade civil. Ambos privilegiaram o contato direto com o povo e não a mediação da sociedade civil, que deixou de ser uma trincheira da esquerda, como ocorreu no regime militar. Suas agências foram, gradativamente, controladas por setores de direita, inclusive em setores onde predominavam atores liberais, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Lula foi um dirigente sindical pragmático e realista. Embora dissesse que a Consolidação da Legislação Trabalhista era o AI-5 dos trabalhadores, não embarcou no mito fundador do Partido dos Trabalhadores, que era emancipar o proletariado brasileiro da tutela da CLT, cuja origem está no Estado Novo e na Carta del Lavoro, do ditador Benedito Mussolini, criador do fascismo.

O herdeiro político de Vargas e do trabalhismo era Leonel Brizola. O PT nasceu a partir da crítica visceral ao populismo. Entretanto, a partir das eleições de 1989, quando Lula foi para o segundo turno das eleições contra Fernando Collor de Mello e Brizola ficou fora da disputa final, houve um processo gradativo de adesão do PT às teses nacional-desenvolvimentistas de Vargas, bem como à construção de uma estratégia de ocupação dos sindicatos — que deslocou desse eixo trabalhistas e comunistas por meio de uma tática de luta e negociação.

O PT radicalizava as formas de luta e privilegiava as greves. Porém, ao mesmo tempo, buscava a negociação com o patronato, sem a mediação da Justiça trabalhista, como ainda faziam os dirigentes sindicais trabalhistas e comunistas que sobreviveram ao grande expurgo promovido nos sindicatos pelo regime militar. Assim, tornou-se o maior partido de esquerda no Brasil e, deste então, manteve-se como alternativa de poder graças à penetração nos sindicatos, nas universidades e no mundo artístico e cultural.

Entretanto, nada disso seria possível sem a liderança carismática de Lula, que disputou e perdeu duas eleições presidenciais — para Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998), até derrotar José Serra (PSDB), em 2002. Vai aqui um parêntese: a derrota de Serra interrompeu um projeto político de ruptura com a Era Vargas e, com isso, a construção de uma elite política, intelectual e empresarial capaz de liderar um novo modelo de desenvolvimento, democrático e integrado à economia mundial em bases soberanas, como imaginavam os tucanos. O processo político real ultrapassou o ideário dos intelectuais fundadores do PT, que tinham em comum com o PSDB a negação da Era Vargas — talvez o mesmo tenha ocorrido com o PSDB, mas essa é outra história. O pragmatismo levou o PT a defender a herança de Vargas: o Estado como indutor da economia e provedor dos mais pobres. Reconhece na prática o populismo como uma via de incorporação dos trabalhadores à vida nacional. Os sindicatos foram atores da democratização do país ao longo da história.

Curiosamente, apesar de excomungado pelos udenistas, o modelo de industrialização adotado por Vargas teve seu auge no governo do general Ernesto Geisel.

Os dois primeiros governos de Lula foram exitosos porque manteve a política de estabilidade monetária herdada do governo FHC e aproveitou expansão da economia mundial, além de se beneficiar do “bônus demográfico”, que possibilitou taxas maiores de crescimento e uma política de transferência de renda que retirou 12 milhões de famílias da pobreza absoluta (Bolsa Família). Quando a taxa de natalidade e a de mortalidade têm queda, e a expectativa de vida aumenta, muda a relação entre a população economicamente ativa e aposentados e o número de dependentes.

No final do governo Lula e nos de Dilma Rousseff, cujo segundo mandato foi interrompido pelo impeachment, houve uma mudança de política econômica, com ênfase nos investimentos em infraestrutura, sem que o país tivesse poupança e capacidade de captação de investimentos em níveis sustentáveis. Inflação e deficit fiscal acabaram provocando um colapso da política econômica, o que inviabilizou o projeto da “nova matriz econômica” — o modelo proposto pelo PT para desenvolver a economia que retomava o nacional-desenvolvimentismo varguista.

Sinceramente, não sei como caracterizar a política econômica do governo Jair Bolsonaro, que começou com um discurso liberal e terminou com um deficit fiscal que o contradiz. Mas o que nos interessa, aqui, é o estado da arte.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vive entre a realidade fiscal imposta pela economia e uma recidiva da narrativa nacional-desenvolvimentista. É como se estivesse diante de uma encruzilhada do passado. A diferença é que o mundo mudou, as cadeias de valor da globalização estão sendo restruturadas, o país está com um pé em cada canoa na política internacional e a nossa “sociedade industrial”, que deu origem ao PT, não existe mais. Lula precisa repensar seu projeto de país à luz da nova realidade.

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Governo deve tratar sobre corte de gastos no orçamento, indica Tebet

A ministra do Planejamento e Orçamento (MPO), Simone Tebet, afirmou que o governo não deve mais tentar combater o risco fiscal somente pelo aumento das receitas e defendeu o respeito às regras definidas no arcabouço fiscal, aprovado no ano passado, que substituiu o antigo teto de gastos.

“Não é possível mais pelo lado da receita nós podermos, apenas sobre a ótica da receita, resolver o problema do fiscal no Brasil”, disse Tebet, após uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta terça-feira (15/10).

Tebet ainda ressaltou que o momento de combater fraudes e erros que remetem à época da pandemia de covid-19 ficou no ano passado e que o governo deve priorizar uma revisão estrutural. Um dos pontos tratados na reunião foi o salário mínimo, que a ministra defendeu que deve estar acima da inflação, além de acompanhar a aposentadoria.

Todos esses pontos devem ser levados à mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes de serem encaminhados ao Congresso, segundo a chefe da pasta. Para 2025, ela sinalizou que o governo prepara um segundo pacote de medidas estruturantes, ainda sem revelar o valor total destas propostas.

“A ideia é colocar o máximo possível de medidas ainda este ano dentro daquilo que a gente saiba que é possível votar e/ou “descomeçar” a discussão e terminar no primeiro semestre do ano que vem, para depois ter um segundo pacote de medidas estruturantes”, adiantou a ministra.

Tebet ainda destacou que o governo deve levar para o próximo ano a discussão sobre a revisão de gastos tributários, que, como ela mesma destacou, correspondem a quase R$ 600 bi de renúncia fiscal, ou 6% do PIB brasileiro. A ideia é reduzir essa perda para apenas 2% nos próximos anos.

“Vai levar 8 anos, 10 anos? Mas ela tem que começar. Essa é uma discussão. Que também está sendo discutida, aí nós somos o processo contrário, aí nós viemos colaborando com o Ministério da Fazenda, que a questão dos gastos tributários, a gente tem algum trabalho e a maior parte fica com o Ministério da Fazenda”, concluiu.

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IBGE vai medir peso das bets nos gastos dos brasileiros

Os gastos de brasileiros com plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, serão medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2024/2025, que vai a campo a partir de 5 de novembro.

O IBGE explica que os jogos de azar, como as loterias oficiais, já faziam parte da última edição da POF, que coletou dados entre 2017 e 2018. Naquela época, porém, as bets ainda não existiam no Brasil. Fenômeno de impacto crescente na economia brasileira, o gasto com esses jogos será medido pela primeira vez na POF 2024/2025.

Segundo o IBGE, esta edição da POF também vai incluir um módulo que, de forma inédita, pesquisará o uso do tempo dos brasileiros. As informações são da Agência Brasil.

Cesta de compras

Desde 1970, a POF desenha a cesta de compras do brasileiro e atualiza a lista de gêneros de consumo que é referência para o cálculo do índice oficial de inflação do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Por meio de questionários bastante detalhados, o IBGE consegue saber quanto do orçamento das famílias é destinado a cada tipo de gasto, como alimentos, roupas, medicamentos ou passagens de ônibus, por exemplo.

Com esta pesquisa, o IBGE avalia as estruturas de consumo, de gastos, de rendimentos e parte da variação patrimonial das famílias, oferecendo um perfil das condições de vida da população a partir da análise dos orçamentos domésticos.

Além das informações diretamente associadas à estrutura orçamentária, várias características dos domicílios e das famílias são também investigadas, incluindo a autoavaliação subjetiva sobre qualidade de vida.

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Energia renovável: os consumidores e o planeta agradecem

Francisco Lassalvia — Vice-presidente de negócios de Atacado do Banco do Brasil.

O crescimento econômico mundial, os episódios recorrentes de altas temperaturas e a eletrificação de setores e atividades são responsáveis por um aumento significativo na demanda mundial por energia elétrica. Segundo dados do relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), há a previsão de um aumento de 4% na demanda global em 2024 e, novamente, em 2025, superando os 2,5% de crescimento observados em 2023.

É fundamental que fontes renováveis de energia também aumentem sua expansão rapidamente, para elevar sua contribuição na oferta energética global de 30% em 2023 para 35% em 2025, de acordo com Electricity 2024. A energia solar fotovoltaica está prevista para suprir quase metade do aumento na demanda global de eletricidade nos anos de 2024 e 2025. Junto com a energia eólica, espera-se que essas fontes contribuam com três quartos do crescimento total da demanda. Prevê-se que a parcela somada de energia solar e eólica no mercado amplie de 13% em 2023 para cerca de 18% em 2025.

A matriz energética brasileira é considerada uma das mais limpas do mundo devido à grande participação de fontes renováveis. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as três maiores fontes renováveis que compõem a matriz elétrica do país são a hídrica (55%), a eólica (14,8%) e a de biomassa (8,4%). Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentados no Balanço Energético Nacional 2024 demonstram que 49,1% da matriz energética brasileira é, hoje, composta por energias renováveis. A média mundial fica em 14,7% e, entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 12,6%. De acordo com os dados, no ano passado 89% da eletricidade produzida no país veio de fontes renováveis.

Além do atributo ambiental, as fontes de energia renovável impulsionam a economia local por meio da geração de empregos e incentivo ao desenvolvimento regional. Por serem fontes mais abundantes e menos poluentes, essas energias são vistas como limpas, pois utilizam recursos que se renovam naturalmente, promovendo um desenvolvimento sustentável que protege nossa qualidade de vida.

Outra frente importante é fortalecer a segurança energética do país por meio da ampliação da capacidade de geração de eletricidade. Nesse sentido, a Aneel prevê uma entrada de 10,3GW de capacidade, sendo que 2,1GW vão atender ao mercado regulado e 8,2GW para o Mercado Livre de Energia e autoprodução. Vale lembrar que pequenas e médias empresas, como padarias, supermercados e farmácias, já podem acessar o Mercado Livre de Energia desde o início do ano, permitindo uma redução nas contas de energia na ordem de 35% — uma economia considerável.

Além disso, há a regulamentação do mercado brasileiro de hidrogênio, elemento considerado o combustível do futuro. Sua capacidade de gerar descarbonização apresenta enorme potencial sobretudo pela possibilidade de reduzir as emissões de carbono, principalmente na indústria pesada e em transportes. Com potencial para substituir os combustíveis fósseis, há empenho do mercado em investir US$ 30 bilhões nessa área.

Nós, no Banco do Brasil, incentivamos a transição da sociedade e dos clientes a uma economia de energia mais verde, financiando a aquisição de sistemas de energia renovável e eficiência energética, como painéis solares e equipamentos mais eficientes. Recentemente, financiamos a construção de um complexo de energia solar de R$ 34,4 milhões em Goiás, por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), beneficiando a economia local com energia mais acessível e sustentável. As sete usinas solares somam uma capacidade de produção de 9,8MWh e visam compensar a energia utilizada por empresas locais de pequeno e médio porte por meio de contratos de arrendamento. Para se ter uma ideia, essa capacidade é suficiente para fornecer eletricidade para aproximadamente 4.900 residências.

Queremos construir uma jornada sustentável com benefícios para todos por meio de uma estratégia que leva em consideração os impactos Ambientais, Sociais e de Governança nos negócios. Somos guiados por nossa Agenda 30 BB e por nossos Compromissos para um Mundo Sustentável, que estabelecem metas de apoio a energia renovável, agricultura sustentável, captações de recursos ASG e ampliação da diversidade em cargos de liderança.

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Brasil depende de um milagre fiscal para ter o grau de investimento

A agência norte-americana de classificação de risco Moody’s elevou a nota de crédito do Brasil, de Ba2 para Ba1, deixando o país a um degrau do selo de bom pagador. A decisão, tomada na semana passada, surpreendeu o mercado e fez o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ter esperanças de que é possível que voltar a ter o grau de investimento — conquistado em 2008 e perdido em 2015 — antes do fim do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com analistas ouvidos pelo Correio, somente um milagre fará o Brasil voltar ao grau de investimento até 2026 e deixar de figurar entre os países de grau especulativo. Eles lembram que a Moody’s sempre foi a última das agências a elevar ou diminuir a nota do país no passado e o fato de ela ter sido a primeira a fazer o upgrade do rating, uma semana depois da reunião com o presidente Lula, em Nova York, chamou a atenção.

Vale lembrar que o requisito básico para que isso ocorra é as contas públicas voltarem ao azul, e, para isso, será preciso um superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) de 1% a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Só assim a dívida pública bruta poderá se estabilizar em um momento em que a taxa básica da economia (Selic) voltou a subir e, atualmente, está em 10,75% ao ano e, até o início de 2025, deverá chegar a 12% ao ano — o que vai ajudar a frear o crescimento da economia no próximo ano.

Em 2008, quando o Brasil conquistou o grau de investimento, o país vinha registrando superavit primário desde 1998. E, agora, apesar de a maioria das projeções de crescimento do PIB deste ano estar acima de 3%, desde 2014, o Brasil apresenta deficit primário, com exceção de 2022 — um ponto fora da curva por conta de “pedaladas” no pagamento de precatórios (dívidas judiciais da União). Além disso, o atual governo passou a perseguir o limite inferior da meta do arcabouço fiscal, que permite um rombo de até 0,25% do PIB, mas tem descontos adicionais de precatórios (de até 0,40% do PIB) e de gastos com as enchentes do Rio Grande do Sul, que permitem um deficit, neste ano, que poderá chegar até 0,60% do PIB.

Logo após a notícia do upgrade da Moody’s, Haddad comemorou e reconheceu que “há um trabalho a ser feito” e que o governo não pode “baixar a guarda em relação às despesas e às receitas”. E analistas não acreditam que o ministro conseguirá convencer o governo de que será possível fazer o ajuste pelo lado dos gastos na segunda metade do mandato.

“A grande maioria dos economistas se surpreendeu com a decisão da Moody’s porque ela se baseou nas indicações de crescimento da economia melhor do que se pensava, inclusive, ela própria. Mas o problema está no lado fiscal, como a agência reconhece e a segunda surpresa é falar também em uma perspectiva positiva, o que significa em uma melhora da nota entre 12 e 18 meses. Mas, na verdade, tudo indica que a Moody’s não avaliou adequadamente o risco fiscal”, destaca o economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria.

Maílson da Nóbrega reconhece que o arcabouço fiscal acabou sendo um pouco melhor do que o esperado, porque foi criado pela ala mais responsável fiscalmente da esquerda, chefiada por Haddad. Contudo, historicamente, o PT e o próprio presidente Lula são contra todas as ideias de cortar gastos obrigatórios que hoje, equivale a 91% das despesas primárias e, somados aos pisos de educação e da saúde que são vinculados às receitas e as emendas impositivas dos parlamentares, esse percentual chega a 96%. “Logo, o governo dispõe apenas de 4% da despesa primária para executar outras despesas para outras atividades normais do governo, inclusive, com as Forças Armadas. Portanto, ele não tem espaço para gerar superavit primário de 1% a 1,5% do PIB por ano para estabilizar a dívida pública”, resume Nóbrega.

O economista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Simão Davi Silber também também não acredita que o grau de investimento vai vir em 2026. Para ele, o upgrade da Moody’s foi ruim. “É insustentável com a piora das contas públicas”, alerta.

Eduardo Velho, economista-chefe da JF Trust Gestora de Recursos, também reforça o coro de que será muito difícil o governo conseguir recuperar o grau de investimento até 2026. “A dívida pública em relação ao PIB vai subir, com certeza no próximo mês, e será maior do que 80%, mas ela está querendo ir para 90%, na verdade. Não tem como o país atingir grau de investimento com essa trajetória de dívida em alta e crescimento do PIB acelerando um pouco”, afirma.

Avaliação do cenário econômico

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, lembra que a última vez em que o Brasil esteve na mesma condição atual ocorreu em agosto de 2007, quando a Moody’s deu o upgrade para Ba1 para o país, mas as condições econômicas eram bem diferentes do que agora, como PIB, dívida pública, resultado primário, entre outros. Além disso, as outras agências de risco, Standard & Poor’s (S&P) e Fitch Ratings ainda não elevaram as notas de risco do Brasil, justamente por conta da questão fiscal. “Outras agencias, como a S&P, rejeitam uma melhora da nota do Brasil e os critérios fiscais seguem sendo os grandes pontos de desafio do governo e vão muito além do limite inferior da meta fictícia de -0,25% do PIB”, afirma Vale.

Na avaliação do especialista em contas públicas Bráulio Borges, da LCA Consultores, havia razões para muitos analistas questionarem o upgrade da Moody’s, devido ao quadro de fragilidade fiscal ainda muito elevada, com resultados primários ainda deficitários e muito distantes do nível necessário para estabilizar a relação dívida pública-PIB, que seriam superavits na faixa de 1% a 1,5% do PIB. “Havia razões para uma melhoria da nota, já que ela estava no mesmo nível desde 2015 e vários indicadores, como crescimento do PIB, inflação e contas externas melhoraram nesse período. Contudo, o quadro de fragilidade fiscal sugere que o grau de investimento ainda está mais distante do que próximo”, afirma.

Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), ressalta que a entidade não vê sinais de melhora no quadro das contas públicas que justifiquem o upgrade na nota de risco do Brasil pela Moody’s, apesar de o PIB crescer acima do potencial, pois tudo indica que haverá desaceleração da atividade econômica no ano que vem, o que é um consenso entre os analistas.

“E no fiscal, além das questões envolvendo o crescimento da despesa, especialmente com as modificações na regra de correção do salário mínimo e com alguns grupos de gastos fora da regra do arcabouço, tem a dificuldade de se materializar as receitas extraordinárias incluídas na proposta orçamentária de 2025”, alerta Andrade. Pelas projeções da IFI, as contas públicas seguem no vermelho, pelo menos, até 2030, e, neste ano, a dívida pública bruta deverá passar de 80% do PIB — patamar preocupante para países emergentes.

O economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), avalia que a decisão da Moody’s “foi ousada, mas não é uma posição sem fundamento”. Ele destaca que as surpresas no crescimento do PIB que tem ajudado a melhorar as projeções macroeconômicas deste ano estão diretamente relacionadas com o forte estímulo fiscal que vem sendo dado desde 2023, com Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição. “O desconforto dos economistas é que temos um crescimento mais forte, mas que é insustentável. E, esse mesmo grupo político, entre 2007 e 2013, quando esteve no poder, praticou uma política econômica que criou uma trajetória de crescimento que também era insustentável e, aquelas medidas estão voltando”, alerta.

Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o relatório da Moody’s chega a ser conflitante, porque uma das justificativas para a elevação da nota do Brasil foi a melhora da nota de crédito das empresas. “Isso não tem nada a ver com crédito soberano”, ressalta. Ele lembra que o fato de o PIB crescer acima do esperado não significa que haverá mais receita e, como fazia tempo que a Moody’s não mexia na nota do Brasil, vai ser mais difícil para o Brasil voltar a ter o grau de investimento do que foi em 2008.

“O crescimento econômico vai desacelerar em 2025 por conta da taxa de juros, que já está subindo. E isso vai impactar diretamente no custo da dívida pública, porque mais da metade dela é indexada à taxa Selic. E o governo não apresentou nenhum plano consistente de redução de despesas, além de ser contra, por exemplo, as privatizações. Em outro ponto, as estatais têm dado prejuízo. Então, fica muito difícil acreditar que o governo vai conseguir equilibrar as contas públicas, e atingir o superavit primário sem fazer aquela contabilidade criativa, como ele já vem tentando fazer, tentando pegar o dinheiro esquecido nos bancos”, lamenta, ele em referência à polêmica tentativa do governo de confiscar recursos privados para conseguir fechar as contas no azul.

Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, também ressalta que a decisão da Moddy’s é muito controversa, “na direção oposta do majoritário consenso dos agentes de mercado”. “A surpresa no crescimento, utilizada na argumentação, minimiza o efeito da política fiscal bastante expansionista praticada desde o choque da covid-19, adicional a reabertura sincronizada e choque positivo de commodities”, explica. Para ele, a agência minimiza a evidente deterioração das contas públicas, “tanto aquela apurada pelas estatísticas oficiais quanto pelas alternativas, em função do crescente uso da política para fiscal e expedientes por fora do Orçamento”. “A elevação da nota premia uma política fiscal inconsistente. É incompreensível. Premia a falta de transparência, a baixa credibilidade da regra fiscal, a carência de solidez e a inconsistência matemática. A elevação da nota de crédito sustenta a narrativa de como manter uma promessa crível a respeito de uma política irresponsável”, afirma.

Para o economista e consultor André Perfeito, o recado da Moody’s foi singelo e simples: “O Brasil está no pior momento, logo em termos relativos, a maior chance é de melhora do que de piora. Foi só isso que ela disse. É como se falasse que a boa notícia é que está ruim, ou seja, na margem tende a melhorar”, resume.

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