Onze chefes da Receita Federal pediram exoneração dos seus cargos na última terça-feira (21/12). Os demissionários encaminharam uma carta à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, responsável pelos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, no mesmo dia em que o Congresso Nacional aprovou o orçamento de 2022. O orçamento prevê reajuste salarial apenas para as categorias de policiais.
“Tal solicitação (…) visa a engrossar o número de auditores fiscais que, cientes de suas responsabilidades e do grau de complexidade de suas tarefas, assim como dos crescentes resultados positivos decorrentes da dedicação e qualidade do trabalho realizado em suas equipes, se encontram cada vez mais perplexos com o descaso com a classe por parte do governo federal”, escreveram os auditores da Receita Federal.
Os auditores da RF ainda dizem na carta que o “descaso” do governo federal se estende a questões remuneratórias, “como fica evidente pela demora na regulamentação do bônus de eficiência, revelando o desrespeito para com os auditores que, por sua vez, observam, igualmente perplexos, a (ausência de) movimentação por parte da cúpula do órgão quanto a se manifestar de forma incisiva sobre o problema”.
Por sua vez, o Sindifisco, sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, comunicou que o orçamento aprovado pelo Congresso para 2022 mexeu até com os “recursos ordinários” da Receita.
“Chegamos à votação da Lei Orçamentária de 2022 humilhados pelo descaso, aviltados ao constatar que até os recursos ordinários da Receita Federal, necessários à continuidade das atividades da máquina arrecadadora, são carreados para o reajuste de categorias de outros órgãos, a despeito de haver, dentro do Ministério da Economia, um acordo pregresso a ser honrado”, afirmou o Sindifisco.